Opinião: O renascimento do Guarani

Depois de 5 anos na Série A2 do Campeonato Paulista, o Bugre volta a elite do futebol estadual

Opinião: O renascimento do Guarani
O Guarani estreou com derrota no Campeonato Brasileiro da Série B frente ao Fortaleza - Crédito: fb.com/guaranifc.oficial

Coluna Futebol Caipira, por Luiz Ademar
São Paulo, SP, 14 de abril de 2018

O clube do interior de São Paulo mais famoso no Brasil é o Guarani! E nem poderia ser diferente. Além de revelar craques como Careca, Renato, Evair, Neto, Amoroso, Luizão, João Paulo, Amaral, Mauro Silva, Júlio César, entre outros, o Bugre foi campeão brasileiro de 1978, em cima do Palmeiras, e duas vezes vice-campeão, em 1986 e 1987. Também ganhou a Série B em 1981. E terceiro colocado do Brasileirão em 82.

O Guarani ainda foi vice da Série B do Brasileiro em 1991. Terceiro colocado no Brasileirão de 94. E vice da Série C em 2008 e 2016. E voltou a ser vice da Série B em 2009. Portanto, fazer grandes campanhas no cenário brasileiro não é surpresa para a torcida bugrina. Mas, verdade seja dita, o Guarani colecionou dramas nas últimas temporadas. Se fragilizou pelo Brasil e, principalmente, no futebol estadual. Foram sucessivas más administrações e falta de investimentos no clube e nas categorias de base.

Neste século foram quatro rebaixamentos no Paulistão: 2001, 2006, 2009 e 2013. Duas vezes no Brasileirão: 2004 e 2010. E duas vezes na Série B (Segunda Divisão do Brasileiro): 2006 e 2012. Os sucessivos vexames atormentaram a fanática e imensa torcida bugrina. E as revelações do clube foram sumindo.

O primeiro sinal de mudança aconteceu na temporada de 2016, com o técnico Marcelo Chamusca no comando. Na Série C (Terceira Divisão) do Brasileiro, o Guarani fez bela campanha, virou finalista e garantiu o acesso à Série B. Nem o vice-campeonato tirou o ânimo da torcida, que passou a vislumbrar dias melhores no Brinco de Ouro.

Mas em 2017 o Guarani não conseguiu embalar. Nem na Segunda Divisão do Campeonato Paulista, onde não conseguiu o acesso, muito menos na Série B do Brasileiro, onde foi líder em grande parte do primeiro turno, estando sempre no G-4. Porém, a equipe caiu tanto de rendimento no segundo turno, que chegou na última rodada temendo o rebaixamento para a Série C.

Planejamento para 2018 – Em busca de novidades para 2018, a diretoria do Guarani teve ideia extremamente inteligente. Contratou o inovador e arrojado técnico Fernando Diniz, que tinha sido vice-campeão paulista da Primeira Divisão, com o Osasco Audax, e caracterizava seus times com esquema tático arrojado, ofensivo e de futebol vistoso. Com jogadores bons, baratos e inteligentes para assimilar o seu esquema tático, Fernando Diniz montou o elenco do Guarani forte e competitivo. E garantia! O Bugre brigaria pelo acesso ao Paulistão em 2018 e, principalmente, pelo título de campeão paulista da Série A-2 (Segunda Divisão).

Mas ainda no mês de janeiro, antes mesmo de iniciar a Série A-2 do Campeonato Paulista, os planos do Guarani não começaram a ruir. Não por culpa dos jogadores! A diretoria também não. O motivo do desespero? O Atlético-PR, que fez proposta financeira irrecusável para o técnico Fernando Diniz trocar Campinas por Curitiba. No contrato de Fernando Diniz havia uma cláusula que constava que em caso de receber proposta de algum clube da Primeira Divisão, de São Paulo ou do Brasil, o Guarani deveria liberá-lo. Bastava o treinador pagar a multa estipulada no documento e ele iria embora. Foi o que aconteceu!

Fernando Diniz explicou os seus motivos para a diretoria do Guarani, pagou a multa e foi embora para o Atlético-PR. E o clube, após analisar o mercado da bola, entendeu que não haveria outro treinador com as mesmas características. E teve ideia brilhante! Promover o auxiliar Umberto Louzer, que participou da montagem do elenco e estava trabalhando diariamente com o agora ex-treinador.

A estratégia de promover Umberto Louzer não deu certo de imediato. A Série A-2 do Paulista de 2018 foi disputada, em sua primeira fase, em 15 rodadas entre os 16 participantes. Turno único, com os quatro primeiros colocados se classificando para a final e disputando as duas vagas de acesso ao Paulistão de 2019.

Entre altos e baixos, o Guarani rapidamente se estabilizou na competição. Aos poucos entrou no G-4, ou seja, no grupo dos quatro primeiros colocados. E não saiu mais. Assumiu a liderança e terminou a primeira fase, com muita justiça, na primeira colocação. Foram 31 pontos em 15 jogos, com 10 vitórias, um empate e quatro derrotas. O Bugre marcou 31 gols e sofreu 18.

Nas semifinais, em jogos de ida e volta, o adversário foi o forte e tradicional XV de Piracicaba. Quem vencesse não só estaria na final da Série A-2 do Paulista, mas, principalmente, garantiria com antecedência o retorno ao cobiçado Paulistão em 2019. No primeiro jogo, no estádio Barão de Serra Negra, em Piracicaba, o Guarani, de Umberto Louzer, arrancou empate sem gols. Na partida de volta, no Brinco de Ouro lotado, o Bugre venceu por 1 a 0, garantiu o acesso à Primeira Divisão e chegou a mais uma final em sua história.

De acordo com o regulamento da Série A-2, a final foi disputada em um jogo só, na casa do time de melhor campanha: o Guarani. E o adversário, que também garantiu o acesso ao Paulistão de 2019, foi o Oeste, agora da cidade de Barueri. A final teve novamente o Brinco de Ouro lotado, com quase 20 mil torcedores. E o título do Guarani foi conquistado em grande estilo. Com goleada: 4 a 0, gols de Bruno Mendes, Bruno Nazário, Caíque e Rondinelly.

Despedida de Fumagalli –  O título das Série A-2 e o retorno ao Paulistão em 2019 também marcaram o fim de um ídolo. O veterano Fumagalli, aos 40 anos, havia renovado seu contrato em dezembro de 2017 com um único objetivo. “Eu havia prometido encerrar a carreira com o título paulista da Série A-2 e o acesso ao Paulistão. E consegui! Por isso, eu estou encerrado a carreira agora”, afirmou Fumagalli, que teve quatro passagens pelo Guarani e completou mais de 300 jogos no clube na Série A-2.

A torcida gritou o nome de Fumagalli após a conquista do título. E a diretoria, sem perder tempo, anunciou o agora ex-jogador como novo coordenador técnico de futebol. Ele trabalhará ao lado de Luciano Dias (superintendente de Futebol) e de Sérgio do Prado (Gerente de Futebol), com realizando a integração entre diretoria, atletas, comissão técnica, departamento de futebol e categorias de base.

Fumagalli agradeceu a oportunidade e destacou a vontade de manter a mesma linha de trabalho com seriedade na nova função. “Agora estou aposentado e com as portas abertas em clube que tenho grande história. Terei nova função no Guarani e espero ser feliz como fui como jogador. Vou procurar sempre trabalhar de maneira verdadeira, séria e correta, igual trabalhei como jogador”, frisou.

Fumagalli comentou sobre a nova função. “Vou estar próximo do Luciano (Dias), do Umberto (Louzer), da diretoria e da base também. Acredito que tenho bastante coisa para acrescentar e também para aprender com os profissionais que aqui estão. No dia a dia vamos buscando mais conhecimento para fazer com que o Guarani se torne ainda mais forte e eu possa ajudar agora fora de campo”, explicou.

Já o técnico Umberto Louzer preferiu dividir a festa pelo título com o ex-treinador Fernando Diniz. Com humildade, o comandante do Guarani lembrou que a montagem do elenco e o início de trabalho foi feito pelo antecessor. “Estou muito feliz por ter trabalhado com elenco maravilhoso! Jogadores com personalidade, que assimilaram tudo que foi planejado. Agradeço também ao Fernando Diniz. Foi ele que montou o elenco e iniciou o trabalho. Depois fui fazendo alguns ajustes, de acordo com o que acredito no futebol. E deu tudo certo”, disse Umberto.

Série B do Brasileiro – Sem muito tempo para festejar o título e o acesso, reforçando o elenco e sem vários jogadores que foram titulares na campanha brilhante da Série A2, o Guarani estreou na Série B do Campeonato Brasileiro na última sexta-feira (13/4). Em Fortaleza, o Bugre sofreu gols aos 49 minutos do segundo tempo, e perdeu para o Fortaleza, do técnico Rogério Ceni, por 2 a 1.

Apesar do tropeço, os jogadores do Guarani e o técnico Umberto Louzer minimizaram a derrota fora de casa na estreia da Série B. E, assim como aconteceu na Série A-2 do Paulista, prometem dias melhores e luta pelo acesso. “A Série B é muito longa, disputada em pontos corridos, com os quatro melhores garantindo o acesso ao Brasileirão de 2018. Não fizemos partida ruim e estávamos empatando com o Fortaleza até os 49 minutos do segundo tempo, quando sofremos gol de falta”, explicou Umberto Louzer.

Para o treinador do Guarani, o clube está reformulando o elenco, alguns jogadores campeões estudam a possibilidade de alguma transferência e reforços estão chegando. Em pouco tempo, de preferência a partir da segunda rodada, a casa estará em ordem e o Bugre, com o elenco competitivo mais uma vez, lutará pelo acesso. “Tivemos muitos problemas para escalar o time contra o Fortaleza. Mas já estamos definindo o elenco, jogadores importantes estão chegando, e o Guarani virá forte para brigar pelo título da Série B”, prometeu o treinador.

 

 

 

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