Opinião: Oeste esquece Itápolis e vibra com sede em Barueri (SP)

Nesta temporada, o popular Rubrão conquistou o vice-campeonato paulista da Série A2 e consequentemente o acesso para disputar a elite do futebol estadual no próximo ano

Opinião: Oeste esquece Itápolis e vibra com sede em Barueri (SP)
Nesta edição do Campeonato Brasileiro da Série B, o Oeste ainda não sabe o que é perder - Crédito: Divulgação

Coluna Futebol Caipira, por Luiz Ademar
São Paulo, SP, 20 de abril de 2018

O Oeste Futebol Clube, o popular Rubrão, tem 97 anos de história! Foi fundado em 25 de janeiro de 1921, na cidade de Itápolis, interior de São Paulo. A mascote é uma onça, animal que na oportunidade era muito comum próximo de um rio que cortava o município, hoje com quase 50 mil habitantes. Mas, como dizem os jovens, quem vive de passado é museu. E o clube esquece o seu passado e festeja o presente na cidade de Barueri, na Grande São Paulo.

Isso mesmo! O Oeste não está mais na cidade de Itápolis! Desde 2016, quando atuou na cidade de Osasco, em parceria com o Audax. Depois, atendendo convite da prefeitura, trocou definitivamente sua sede para Barueri, onde passou a usar toda a estrutura do Grêmio Barueri, inclusive a sua moderna Arena.

O pivô do rompimento do Oeste com a cidade de Itápolis foi o estádio municipal dos Amaros, com capacidade para apenas seis mil lugares. A prefeitura precisaria fazer ampla reforma no local para sediar jogos do Campeonato Brasileiro. Além de ampliar a sua capacidade para pelo menos 10 mil lugares, as arquibancadas de madeira não poderiam continuar. Os vestiários deveriam ser ampliados. E as acomodações para a imprensa, totalmente deterioradas, clamavam por reformas. Sem contar as melhorias na iluminação. O custo de tudo isso? Por volta de R$ 5 milhões.

Sem dinheiro em caixa para reformar o estádio dos Amaros, a prefeitura de Itápolis sequer conseguiu liberar o laudo do Corpo de Bombeiros com a capacidade máxima. Do jeito que estava detonado, o local seria liberado, se fosse, para apenas para cerca de mil lugares. E esses problemas tiraram o clube da cidade.

“O Oeste só não permaneceu em Itápolis porque não tinha campo. E desde que saímos de lá nada foi feito. Agora estamos muito satisfeitos em Barueri, que nos oferece uma estrutura espetacular”, disse Ernesto Francisco Garcia, presidente do Oeste.

Em uma demonstração de que o Oeste foi, ano após ano, prejudicado pela precariedade do estádio dos Amaros, em Itápolis, a diretoria apresentou números importantes em relação a falta de campo em momentos decisivos de todas as competições. Em 2014, o time teve 26 jogos como mandante (21 em Itápolis e cinco em outros locais). Em 2015, foram 27 jogos em casa e apenas um fora. Porém, a partir de 2016, a situação ficou um caos.

“Em 2016 foram apenas seis dos 26 jogos disputados no estádio dos Amaros. Precisamos jogar 20 partidas em Osasco, graças à parceria de última hora com o Audax”, lembra o diretor de futebol Mauro Guerra.

A saída do Oeste da cidade de Itápolis para Osasco, em princípio, seria apenas temporária. A diretoria acreditava que o período serviria para a prefeitura do município fazer parcerias e arrecadar dinheiro para reformar o estádio dos Amaros. Mas nada aconteceu. O último jogo do Oeste na cidade de Itápolis aconteceu no dia 10 de abril de 2016, contra o XV de Piracicaba. Depois, ao longo daquela temporada, os mandos de jogos foram levados para a cidade de Osasco. E a partir de 2017, com o menosprezo da prefeitura de Itápolis, o clube decidir se fixar, em definitivo, em Barueri.

“Nunca tivemos a intenção de sair de Itápolis. O fator de ter saído é porque o município não deu a condição para o clube jogar, não tivemos estádio. Nunca houve vontade de sair, saímos porque o estádio dos Amaros não tem AVCB e precisa de construção de setor de arquibancadas de praticamente metade do estádio. Precisaria de grande reforma. E a atual administração disse que não tinha condição de investir nisso”, ressalta Mauro Guerra.

Proposta de Barueri (SP) – A rica cidade de Barueri sempre teve no futebol o seu ponto forte. E o Grêmio Barueri, que teve rápida ascensão no futebol paulista, ganhou moderna Arena antes mesmo de Corinthians e Palmeiras ganharem estádios de Copa do Mundo. Mas problemas financeiros entre as pessoas que comandavam o clube da Grande São Paulo chegaram a leva-lo para Presidente Prudente, mudando até o nome para Grêmio Prudente. Por curto espaço de tempo.

Porém, desde que saiu de Presidente Prudente para retornar ao tradicional reduto, em Barueri, a paixão entre os moradores da cidade da Grande São Paulo e o clube jamais foi a mesma. E, após sucessivos rebaixamentos nos cenários estadual e nacional, o Grêmio Barueri abandonou o futebol profissional.

De maneira inteligente, o secretário de esporte da cidade de Barueri, Tom Moisés, percebeu o impasse entre Oeste e a cidade de Itápolis, aguardou o desfecho da parceria do clube com a vizinha Osasco, e fez tacada certeira em 2017. Tom Moisés entrou em contato com os dirigentes do Oeste, ofereceu toda a estrutura de treinamentos e jogos para o clube, e o convidou para ser o novo representante na cidade no futebol paulista. E deu certo! Muito certo!

O secretário ainda afirma que nenhum dinheiro público foi investido pela prefeitura no novo time de futebol da cidade. “O Oeste se transferiu definitivamente para a cidade de Barueri. Tudo foi formalizada junto à Federação Paulista de Futebol. Emprestamos o Centro de Treinamentos, demais campos e ginásios existentes na cidade. E a estrutura de academia, fisioterapia e reabilitação de atletas. Seguindo os requisitos estabelecidos por Lei, não pagamos salários de atletas e não dispomos de nenhum recurso público para pagamento de nenhuma despesa, de nenhuma natureza”, explica Tom Moisés.

Comando inalterado – Apesar de ter trocado de cidade, o Oeste, desde 1997, segue com a mesma diretoria. O presidente é Ernesto Garcia. Mauro Guerra é o diretor de futebol, com Aparecido Roberto, o Cidão, é o investidor. Na oportunidade, o Oeste atuava na última divisão do Campeonato Paulista, a extinta B1-B, ou quinta divisão. E, aos poucos, o clube foi subindo degrau por degrau, chegando ao Paulistão, pela primeira vez, em 2004.

Desde a saída conturbada da cidade de Itápolis, o Oeste decidiu esquecer o seu passado. No site oficial do clube nada existe a respeito da antiga sede. As citações são apenas de Barueri.

“A cidade de Barueri nos abraçou, assim, fica muito mais fácil para conseguirmos trabalhar, além de existir incentivo grande da torcida do Oeste Futebol Clube, que é maravilhosa. Apesar da desigualdade financeira do torneio, a Série B é disputadíssima, e nós não vamos abaixar a cabeça para ninguém, vamos seguir trabalhando firme, primeiro para evitar o rebaixamento e depois vamos em busca do acesso para o Campeonato Brasileiro Série A de 2019”, avisou o presidente Ernesto Francisco Garcia.

E motivos para o otimismo da diretoria não faltam. No ano passado, disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, a equipe agora da Grande São Paulo foi a quinta colocada e, por pouco, não garantiu o acesso à Primeira Divisão. Já nesta temporada, com campanha espetacular na cidade de Barueri, o Oeste brilhou no Campeonato Paulista da Série A-2 (Segunda Divisão), conseguiu classificação para as semifinais e garantiu o cobiçado acesso ao Paulistão em 2019.

Nem a perda do título da Série A-2 de 2018, em jogo único, disputado em Campinas, para o Guarani, tirou o ânimo de jogadores, comissão técnica e diretoria. O vice-campeonato trouxe o retorno do clube ao Paulistão. A meta agora é conseguiu brilhar na Série B. Quem sabe outro acesso? O objetivo é esse! Mas, com pés no chão e em nova sede, o Oeste quer subir outra vez degrau por degrau. Sem abandonar a cidade de Barueri!

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