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Opinião: O que fizeram com o Mogi Mirim?

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Coluna Futebol Caipira, por Luiz Ademar
São Paulo, SP, 16 de fevereiro de 2018

O Mogi Mirim Esporte Clube, o popular Sapão, já foi a sensação no futebol disputado no interior de São Paulo. Comecei no jornalismo esportivo no início da década de 90, quando o presidente Wilson Fernandes de Barros investia em jovens promessas, como o técnico Osvaldo Alvarez, o Vadão, e o trio que havia se destacado na Copa São Paulo de Futebol Júnior, pelo Santa Cruz: Leto, Válber e, principalmente, Rivaldo.

Lembro que em 1992, trabalhando na função de repórter, pelo Diário Popular, fui até a cidade de Valinhos para acompanhar pré-temporada do Mogi Mirim. Entrevistei Vadão, que prometia transformar o Mogi Mirim na equipe mais atraente do Paulistão, atuando no 3-5-2, imitando a Holanda, da Copa de 74, comandada com maestria por Cruyff. “Quero copiar o modelo de jogo do Carrossel Holandês´´, me disse o treinador.

Cheguei na redação e conversando com o editor Arnaldo Branco Filho decidimos criar o “Carrossel Caipira´´. Sim! Eu e meu editor criamos o Carrossel Caipira, lembrado até hoje. Também cravamos, no mesmo destaque de página, com frases ditas pelo Vadão, que Rivaldo, que tinha acabado de ser contratado, tinha futebol de gente grande, em breve estaria em clube grande (foi do Corinthians, por empréstimo, e depois contratado pelo Palmeiras) e brilharia na Seleção Brasileira e no futebol mundial! E tudo aconteceu realmente, em grande estilo.

Mas voltemos ao Mogi Mirim! A década de 90 foi promissora. Grandes campanhas nos Estaduais, título da Copa 90 anos da FPF e do Grupo Amarelo do Paulista, ambos em 92, título do Torneio Ricardo Teixeira e o vice do Torneio João Havelange, ambos em 93. Vários jogadores revelados, ótimas negociações e clube bem administrado.

Mas o presidente Wilson Fernandes de Barros viveu momentos difíceis fora de campo e foi se afastando do Mogi Mirim. E, aos poucos, aconselhado por familiares, foi largando o futebol. Porém, para a alegria do dirigente e da torcida, o craque Rivaldo, que estava na fase final da carreira e vinha atuando no Bunyodkor, do Uzbequistão, resolveu investir no clube que o projetou no mundo da bola. O atacante quitou dívida de R$ 1,8 milhão do Sapão e passou a ser o gestor do departamento de futebol do Mogi Mirim. Tudo isso no final de 2008!

Enquanto seguia jogando futebol fora do Brasil, Rivaldo delegou poderes para outras pessoas comandarem o clube, sempre gerenciado de perto por ele. E o Mogi Mirim voltou a ser respeitado e a montar equipes competitivas, o que sempre foi uma característica do clube. E o craque prometia voltar ao futebol brasileiro para encerrar a carreira no time do coração.

Em 2011, Rivaldo retornou ao futebol brasileiro. Mas, para desespero da torcida do Mogi Mirim, atendeu pedido do goleiro Rogério Ceni e foi reforçar o São Paulo. E o seu advogado, Wilson Bonetti, assumiu o comando do Sapão para evitar problemas fora de campo.

Mesmo sem Rivaldo, dentro de campo, o Mogi Mirim foi crescendo com os investimentos de Rivaldo. Fez belo Paulistão em 2012, conquistando o título do Interior, e conseguiu vaga na Série D do Brasileiro, onde ficou entre os quatro melhores e garantiu o acesso à Série C.

Enquanto Rivaldo demorava para encerrar a carreira, trocando o São Paulo pelo Kabuscorp, de Angola, e depois até pelo São Caetano, o Mogi Mirim seguia bem. Depois de ser semifinalista do Paulistão e ter campanha discreta na Série C em 2013, em 2014 o Sapão voltou a brilhar e subiu da Série C para a Série B do Brasileiro.

Rivaldo, já aposentado por problemas no joelho, já tinha assumido a presidência do Mogi Mirim, que tinha em campo o seu filho Rivaldinho no comando do ataque em 2015. E para ajudar o clube do coração, que estava na lanterna da Série B, o craque retornou aos gramados para atuar ao lado de Rivaldinho e conseguiu o apoio da torcida.

E, por incrível que pareça, o Mogi Mirim passou a reagir. A equipe colecionou algumas vitórias, subia na tabela de classificação e o destaque da mídia internacional foi uma partida que Rivaldo e Rivaldinho brilharam em campo, com o craque fazendo até gol!

Mas, a alegria repentina, virou motivo de desespero. Pouco dias depois, em julho de 2015, Rivaldo, que estava desgostoso com a falta de investimentos no clube por empresas da cidade, a ausência de parceiros e as reclamações da torcida, vendeu o clube para os empresários Luiz Henrique de Oliveira e Victor Manuel Simões, da BIG Investimentos.

Sem perder tempo, Rivaldo renunciou ao cargo de presidente. Em efeito cascata, sua esposa renunciou do cargo de vice, a filha renunciou do cargo de diretora financeira e Rivaldinho renunciou do cargo de presidente do Conselho Deliberativo. E os demais componentes da diretoria também deixaram seus cargos. E Luiz Henrique de Oliveira e Victor Manuel Simões assumiram o clube da noite para o dia. Tudo muito rápido e com poucas explicações!

De imediato, Rivaldo, que tinha contrato até dezembro de 2015, anunciou a aposentadoria. Rivaldinho foi jogar no futebol europeu. E o enfraquecido Mogi Mirim, já sob nova direção, não suportou tantas mudanças repentinas e foi rebaixado na Série B. Era o início da derrocada do Sapão dentro de campo. E uma série de problemas fora das quatro linhas.

No ano seguinte, em 2016, os fiascos foram sucessivos. O Mogi Mirim foi rebaixado no Paulistão. Já na Série C, apesar de perder quatro pontos por inscrição irregular de jogador, acabou se salvando nas últimas rodadas. Porém, em 2017, voltou a cair no Estadual, desabando da Série A-2 (Segunda Divisão) para a Série A-3 (Terceira Divisão). E voltou a cair no segundo semestre da Série C para a D do Brasileiro.

Mas, as sucessivas humilhações e rebaixamentos seguiram atormentando a torcida do Mogi Mirim. No clube, Luiz Henrique de Oliveira não é mais sócio de Victor Manuel Simões. Eles romperam, o primeiro está no comando e o segundo tenta na Justiça tomar o poder.

Em 2018, na Série A-3 do Paulista, o Mogi Mirim é o lanterna entre os 20 participantes e, como os seis últimos serão rebaixados, o clube está fadado a mais um vexatório rebaixamento, agora para a última divisão do Estadual. E o planejamento para a Série D, no segundo semestre, sequer existe. Um caos total!

O torcedor se pergunta: O que fizeram com o Mogi Mirim? Rivaldo não se pronunciou mais. O atual gestor sequer está jogando na cidade de Mogi Mirim e manda os jogos da equipe na vizinha cidade de Itapira. E o resultado? Acabaram com clube tradicional do interior de São Paulo! A única saída? Que novos gestores comprem o clube, urgente! Ou, assim como aconteceu com União São João de Araras e Guaratinguetá, entre outros clubes, o Mogi Mirim vai fechar as portas! Salvem o Mogi Mirim! Ainda é possível! Mas é preciso urgência!

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