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Opinião: Paulista tenta se reconstruir na Quarta Divisão do Paulista

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Coluna Futebol Caipira, por Luiz Ademar
São Paulo, 18 de maio de 2018

O Paulista, da cidade de Jundiaí, sempre foi um clube tradicional no futebol paulista. De Primeira Divisão, com torcida fiel! Brilhando até mesmo no cenário nacional, inclusive, com a façanha de ter conquistado o difícil título da Copa do Brasil, em 2005, diante do Fluminense, que era comando pelo técnico Abel Braga, dando a volta olímpica em pleno Maracanã. O popular Galo, do técnico Vagner Mancini, conquistava o caneco e virava assunto nacional.

Mas cadê a força do Paulista? Onde foi parar o tradicional clube de Jundiaí? Como pode ter caído tanto no cenário estadual. Por que tantos rebaixamentos e abandono? Perguntas e mais perguntas para as pessoas que comandaram o clube na última década e o deixaram na última divisão, chamada de Segundona pelos dirigentes da Federação Paulista de Futebol (FPF), mas que na verdade não passa da Quarta e última Divisão.

Mas antes de analisarmos a situação atual do Paulista, até em respeito aos seus torcedores, devemos falar um pouco da linda história do clube de Jundiaí. E pesquisando conseguimos descobrir que o Paulista Futebol Clube foi fundado por funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, sucedendo outro clube que existiu na cidade entre os anos de 1903 e 1908, o Jundiahy Foot Ball Club. Em 17 de maio de 1909, os antigos membros resolveram reorganizar-se e dar continuidade aos jogos de futebol, foi então que em frente à locomotiva nº 34 que estava encostada no pátio de manobras em frente às oficinas e bem próximas onde se localizava a fundição fundaram o Paulista Foot Ball Club, nome escolhido em homenagem à empresa que trabalhavam.

Nos primeiros anos de sua existência, o Paulista concentrou as suas atividades em disputas internas entre os associados e esporádicos jogos amistosos. Em seus primeiros tempos, o clube utilizou um campo na atual Vila Rio Branco e em 1913 mudou-se para instalações em um terreno na Vila Leme.

Em 1919 o clube se filiou à APEA (Associação Paulista de Esportes Athléticos), passando a disputar o Campeonato do Interior, onde sagrou-se duas vezes campeão nos anos de 1919 e 1921. Em 1926 houve uma dissidência na APEA e o Paulista foi convidado a integrar a LAF (Liga dos Amadores de Futebol). Na nova liga, o time jundiaiense, disputou os campeonatos paulistas da divisão principal de 1926 até 1929, sendo o primeiro clube do interior a disputar de forma completa um campeonato na elite estadual.

Com o fim da LAF, o Paulista concentrou suas atividades nos campeonatos municipais, e durante os anos 30 e 40 tornou-se o maior campeão da cidade. Em 1948, com a criação da Lei do Acesso e a profissionalização do futebol no interior, o Paulista passa a disputar o Campeonato da Segunda Divisão da FPF. Em 1957, o Paulista inaugura o estádio Dr. Jayme Cintra, sua casa até hoje.

Enfim em 1968 é que o clube consegue seu primeiro acesso, após uma campanha inesquecível, onde conquistou o título de maneira invicta, sendo até hoje o único clube do estado a conseguir um acesso sem perder nenhum jogo. Em 1969 conquista o Torneio José Ermírio de Moraes Filho e, em 1978, o Torneio Incentivo.

Foram 10 anos na primeira divisão, até ser rebaixado em 1978. Em 1984, porém, o clube voltaria a conquistar o acesso, desta vez como vice-campeão, mas com uma goleada inesquecível no último jogo por 7 a 1 diante do VOCEM, de Assis, no antigo estádio do Parque Antarctica em São Paulo. A permanência na elite desta vez não durou tanto, sendo rebaixado novamente em 1986. Em 1994, com a reformulação das divisões feita pela FPF, o Paulista foi parar na Série A3 (Terceira Divisão).

Em 1995, o clube se associou à empresa Lousano em um dos primeiros contratos de cogestão do futebol brasileiro. Logo no primeiro ano, a parceria produziu bons resultados, com o clube subindo da Série A3 para a Série A2 (Segunda Divisão) do futebol paulista. E também ganhou a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 1997. Em 1998, o Paulista desfez a parceria e se associou novamente a outra empresa, desta vez a Parmalat, mudando o seu nome para Etti Jundiaí. A mudança desagradou parcela expressiva da torcida, mas trouxe resultados imediatos em campo, com o time vencendo a Copa Estado de São Paulo (atual Copa Paulista) em 1999, o Campeonato Paulista da Série A2 e o Brasileiro da Série C, ambos em 2001.

No ano seguinte, a Parmalat anunciou a retirada de seus investimentos em futebol e o time passou por uma curta fase de transição, durante a qual se denominou Jundiaí Futebol Clube. Finalmente, um plebiscito entre os torcedores devolveu-lhe o nome de Paulista Futebol Clube. Mesmo sem mais nenhum parceiro, o clube não deixou de conseguir resultados importantes, como o vice-campeonato do Paulista de 2004, que lhe deu o direito, de no ano seguinte, disputar a Copa do Brasil.

Em 2005 então veio a maior conquista da sua história: a Copa do Brasil, onde o Paulista venceu equipes tradicionais (Juventude, Botafogo-RJ, Internacional, Figueirense, Cruzeiro e a decisão diante do Fluminense). Com a conquista, o Paulista ganhou o direito de disputar a Copa Libertadores da América de 2006 e, apesar de ter sido eliminado na primeira fase, chegou a vencer o River Plate, da Argentina, no estádio Dr. Jayme Cintra.

Em 2007 foi rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro e, em 2008, sem conseguir o acesso no nacional foi obrigado a disputar no ano seguinte o recém-criado Campeonato Brasileiro da Série D. Em 2010 e 2011, com o técnico Fernando Diniz no comando, venceu novamente a Copa Paulista, dando-lhe o direito de disputar novamente a Copa do Brasil, onde apareceu em 2011 e pela última vez em 2012.

Porém, após o maior período de sua história na elite estadual, o Paulista voltou a ser rebaixado em 2014 para a Série A2. E perdeu o rumo definitivamente! Em 2016, após mais uma fraca campanha na Segunda Divisão, caiu para a Série A3. Já em 2017, a suprema humilhação, com outra campanha ruim e a queda para a Quarta e última divisão do futebol estadual.
Volta por cima

Com poucos recursos financeiros, valorizando as categorias de base e apostando na experiência do técnico Sérgio Caetano, que conhece bem o futebol praticado no interior de São Paulo, o Paulista iniciou bem o Campeonato Paulista da Quarta Divisão em 2018. E sua classificação para as oitavas de final é praticamente certa.

O Paulista lidera o Grupo 4, com os mesmos 13 pontos do tradicional São José, mas em vantagem nos critérios de desempate. Em seis jogos disputados na primeira fase, venceu quatro, empatou um e perdeu apenas um.

O futebol aguerrido apresentado pelos comandados do técnico Sérgio Caetano vem fazendo a cabeça dos torcedores. Aos poucos, o Paulista vai subindo no conceito de todos e ganhando apoio. Tanto que no duelo diante do rival São José, dentro de casa, o Galo de Jundiaí venceu por 3 a 0 e ganhou moral.

Pelo desempenho apresentado até o momento, o apoio da torcida e a camisa forte no Interior, o Paulista vem se credenciando a brigar pelo título da Quarta Divisão do Campeonato Paulista. O caminho é longo e árduo, mas a esperança do torcedor voltou a ficar acesa. E a luta continua.

“Estou satisfeito com o comportamento do Paulista até o momento. É um time aguerrido, que busca a vitória a todo momento. Claro que podemos e devemos crescer na competição, mas o futebol apresentado me agrada´´, explica Sérgio Caetano, que comanda o clube com a terceira melhor campanha, até o momento, entre os 40 clubes que disputam a competição.

 

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