BUSCAR NOTÍCIA

PUBLICIDADE

VEJA TAMBÉM_

Gol de Placa: Canhão do Azulão, Adhemar revela decepção com perda da João Havelange e amizade com Adãozinho e Túlio “Maravilha”

Share on whatsapp
Share on telegram
Share on linkedin
Share on pinterest

O ex-atacante Adhemar festeja contra o Fluminense, o que segundo ele, foi o maior gol de sua carreira – Crédito: Carlos Moraes

Antônio Boaventura
São Caetano do Sul, SP, 25 de abril de 2020

Sem dúvida alguma, o ano de 2000 foi inesquecível para o pequeno “Gigante” São Caetano. Grata surpresa da Copa João Havelange, competição que substituiu o Campeonato Brasileiro, naquela ocasião, o Azulão, da cidade de São Caetano do Sul (SP), surpreendeu gigantes do futebol brasileiro como Palmeiras, Fluminense e Grêmio, antes de encarar o Vasco na decisão. E para contar um pouco dessa história, o portal Diário da Bola convidou o ex-atacante Adhemar, 47 anos, que encerrou sua carreira em 2006 no clube do ABCD paulista.

Além de sua passagem pelo São Caetano, o canhão do Azulão também revelou situações atípicas fora das quatro linhas em sua passagem pelo futebol europeu e asiático. Ele também lamentou a perda do título da Copa João Havelange e fala sobre a intensa amizade com o ex-volante Adãozinho e o atacante Túlio “Maravilha”, que ainda está em atividade. Com a camisa do São Caetano, ele disputou 187 partidas e marcou 65 gols. De acordo com ele, o maior dele foi o marcado contra o Fluminense pela Copa João Havelange de 2000. O gol marcado garantiu a vitória por 1 a 0 e a classificação para a fase quartas de final.

Ele começou sua carreira no modesto Estrela, da cidade de Porto Feliz (SP). Depois passou pelo São José (SP) e São Bento antes de chegar ao São Caetano. Na Alemanha vestiu a camisa do tradicional Stuttgart e marcou nove gols em 41 partidas. Três deles em sua estreia contra o Kaiserslautern (ALE), que terminou com o placar de 6 a 1. Pelo futebol asiático defendeu as cores do Seongnam (KOR) e Yokohama Marinos (JPN). Adhemar também foi o artilheiro da Copa João Havelange com 22 gols marcados. Atualmente exerce a função de coordenador técnico do São Caetano.

Diário da Bola – Assim que iniciou sua carreira no Estrela, de Porto Feliz, salvo engano, imaginaria vivenciar o sucesso com o São Caetano?

Adhemar: Nunca imaginei estar um dia em uma final de Campeonato Brasileiro e alcançar o futebol europeu saindo do Estrela, de Porto Feliz (SP). Mas, os sonhos de Deus são maiores do que o nosso. Sou grato por ter vivenciado o futebol da maneira que Ele me proporcionou.

DB Qual foi o momento épico de sua carreira? E por que o classifica dessa forma?

Adhemar: O momento épico da minha carreira seria aquele gol marcado contra o Fluminense, no Maracanã. Poderíamos ter saído como um time desconhecido, mas a partir dali a gente elimina um Fluminense com um Maracanã lotado. Pra mim, isso é épico. Foi um petardo, principalmente da distância que foi. E também para o São Caetano que passou a ser reconhecido nacionalmente a partir daquele momento.

DB – Quem foi o seu maior companheiro dentro e fora das quatro linhas? E por quê?

Adhemar: Adãozinho. Ele me motivava bastante, me incentivava, me direcionava e até hoje tenho contato com ele e a gente conversa bastante. Ás vezes, eu questiono, ele também questiona, me dá conselhos e eu também tenho a liberdade de dar uns conselhos pra ele. Ele me incentivou bastante quando eu jogava e me ajudou bastante na minha carreira profissional.

DB – O convívio com o folclórico Túlio, ex-Botafogo (RJ), foi uma “Maravilha”?

Adhemar: Ele é um cara fantástico. Ele é uma cara do bem. Sempre alegre e me ajudou muito. Em um treinamento de chute a gol ele me deu um toque ‘Pô Adhemar, com o chute que você tem, eu teria jogado no Real Madrid (ESP) ou no Barcelona (ESP). Procura acertar o gol, por que o resto a bola faz’. Isso foi em 2000, e a partir daquele momento eu comecei a mudar a minha maneira de bater na bola e não se preocupando em colocar ela longe do goleiro, mas em acertar o gol.

DB – Como era disputar a posição de titular com o Túlio “Maravilha”?

Adhemar: Disputar a posição com o Túlio “Maravilha” era covardia. Matador! E já mesmo veterano passou pelo São Caetano e em 20 jogos marcou 20 gols. Me ensinou muito e ajudou bastante. Ele é uma pessoa do bem e que realmente deixou uma lacuna no futebol. É brincalhão, extrovertido e que hoje não existe mais. Só jogadores politicamente corretos que não se preocupam em trazer alegria para o torcedor, mas em somente ganhar dinheiro.

DB – Você considera o São Caetano como campeão moral da Copa João Havelange de 2000?

Adhemar: Não somente eu, mas como todo torcedor brasileiro creditou o título da [Copa] João Havelange de 2000 [para o São Caetano]. A partir daquela partida, em São Januário [no Rio de Janeiro (RJ)], que aconteceu aquela fatalidade, deveríamos ser declarados campeões pela CBF. Mas, os bastidores do futebol são bem mais sujo que a gente imagina. Surgiu uma terceira partida, no Maracanã, e estávamos sem treinar. Era uma disputa por vaga na [Copa] Libertadores. Coisas do futebol.

DB – A mudança no local daquela decisão influenciou no resultado a favor do Vasco?

Adhemar: Não só a mudança de local, mas a forma como foi marcada a partida. Estávamos de férias e o Vasco treinando. E faltando três ou quatro dias nos reunimos no hotel e começamos a treinar. A gente teve uns 10 ou 15 dias de folga, claro, que muitos jogadores deixaram de treinar, mas tivemos por obrigação jogar aquela partida. Eu já tinha sido negociado e outros também e voltamos pra fazer essa terceira partida no Maracanã, lotado, porém, sem o mesmo charme do jogo de São Januário.

DB – Como foram as passagens por Alemanha e Ásia?

Adhemar: A passagem pela Alemanha foi fantástica pra mim. Tenho o recorde, até hoje, de estrangeiro com maior número de gols em uma estreia. Foram três gols na primeira partida. Isso ninguém tira de mim. Por lá passaram e passam grandes estrelas do futebol mundial. Teve algumas coisas pitorescas como comer carne de cachorro na Coréia do Sul, no Japão não consegui tirar a carteira de habilitação de condutores por ser a direção do lado direito. São algumas coisas que marcaram muito. Por todos os clubes que passei procurei fazer o meu melhor, mas em alguns tive maior sucesso. Mas, no geral estou muito feliz por aquilo que aconteceu na minha carreira.

DB – Depois de fazer parte do momento de ouro do Azulão, como enxerga o atual momento do clube?

Adhemar: O atual momento do clube é triste com uma política interna muito grande. Isso tem gerado problemas dentro do campo. Espero que se resolva logo essa situação do clube e o São Caetano volte a figurar no local de onde ele nunca deveria ter saído, que é na Série A do Campeonato Brasileiro e na Série A1 do Campeonato Paulista. Mas, vamos torcer para que tudo dê certo.

DB – Para encerrar, o que significa o futebol pra você?

Adhemar: Encerrei minha carreira em 2006 no São Caetano quando retornei do Japão por conta do problema de hipertiroidismo. Fiz aproximadamente 250 gols na minha carreira. Quero contribuir com o futebol da mesma maneira que ele contribuiu para a minha vida. Futebol é paixão nacional e ele não é uma ciência exata. Por isso, é que move multidões pra assistir os jogos no estádio com vibração e isso é muito gostoso. Sou muito grato a tudo o que o futebol me proporcionou.

Share on whatsapp
Share on telegram
Share on linkedin
Share on pinterest

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

VEJA TAMBÉM_