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Gol de Placa: Campeão da Copa do Brasil de 2004 pelo Santo André, Dedimar classifica o futebol como agente transformador

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Dedimar, ex-lateral-direito e zagueiro, era o capitão da equipe do Santo André que se sagrou campeão da Copa do Brasil de 2004 - Crédito: Pedro Paulo

Dedimar, ex-lateral-direito e zagueiro, era o capitão da equipe do Santo André que se sagrou campeã da Copa do Brasil de 2004 – Crédito: Pedro Paulo

Antônio Boaventura
São Paulo, SP, 03 de maio de 2020

Agente transformador. É dessa forma que o ex-lateral-direito e zagueiro Dedimar, capitão e campeão da Copa do Brasil de 2004 pelo Santo André, classifica o futebol. Entretanto, o ex-defensor, que atualmente é observador técnico das categorias de base do Palmeiras, entende que esta ferramenta precisa ser melhor utilizado atualmente. Conquistou em sua carreira cerca de 15 títulos e encerrou sua estada dentro das quatro linhas em 2011 com a camisa do catarinense Concórdia. O mesmo elegeu o título nacional conquistado pelo Ramalhão como o mais importante de sua trajetória como atleta de futebol.

Dedimar começou sua carreira nas categorias de base do Bahia em meados dos anos 1990 e se dois anos mais tarde se transferiu para o rival Vitória. Com a camisa do Rubro-Negro baiano se tornou bicampeão Baiano – 1995 e 1996 -, em uma geração que contava com Vampeta, Dida, Paulo Isidoro, Rodrigo e o ex-atacante Alex Alves, que faleceu em novembro de 2012. Destaque no clube baiano e com passagens pela Seleção Brasileira Sub-17, Sub-20 e Sub-23, o lateral-direito foi contratado pela Parmalat, repassado ao Juventude e posteriormente ao Palmeiras, além de também defender as cores do Etti Jundiaí, atual Paulista de Jundiaí (SP), que também tinha o controle da multinacional italiana.

Ele também vestiu ao longo de sua carreira as camisas do Atlético (MG), Jubilo Iwata (JPN), Coritiba, Santo André, Tokyo Verde (JPN), Marília, Botafogo (SP), Ceará, Guaratinguetá, Atlético Sorocaba (SP), Paraná Clube, RB Brasil, Grêmio Catanduvense, São Caetano, Juventus, Concórdia, onde encerrou sua carreira aos 35 anos. O mesmo afirma que foram os clubes pequenos e emergentes que contribuíram de forma efetiva para sua formação pessoal e profissional. Entre os principais títulos estão as conquistas da Copa do Brasil de 2004, a Copa Conmebol de 1997, o Sul-Americano Sub-20 de 1995 e a Copa Nabisco de 1998.

Confira quais foram os títulos conquistados por Dedimar em sua carreira:

– Campeão do Sul-Americano Sub-20 com a Seleção Brasileira – 1995;
– Campeão do Torneio de Toulon (FRA) com a Seleção Brasileira – 1995;
– Campeão Baiano pelo Vitória – 1995 e 1996;
– Campeão do Torneio Maria Quitéria pelo Palmeiras – 1997;
– Campeão da Copa Conmebol pelo Atlético (MG) – 1997;
– Campeão da Copa Nabisco pelo Jubilo Iwata (JPN) – 1998
– Campeão Paranaense pelo Coritiba – 1999;
– Campeão Paulista da Série A2 pelo Paulista de Jundiaí (SP) – 2001;
– Campeão Brasileiro da Série C pelo Paulista de Jundiaí (SP) – 2001;
– Campeão Cearense pelo Ceará – 2003;
– Campeão da Copa Paulista pelo Santo André – 2003;
– Campeão da Copa do Brasil pelo Santo André – 2004;
– Campeão Paulista da Série A2 pelo Santo André – 2008;
– Campeão Paulista da Série A3 pelo RB Brasil – 2010;

Diário da Bola – Como foi seu começo de carreira?

Dedimar: Comecei minha carreira no Bahia, onde permaneci por dois anos até me transferir para o Vitória. No time do Manoel Barradas, participei daquela geração de ouro que revelou o goleiro Dida, o Vampeta, Paulo Isidoro e Alex Alves. Tive maior projeção no Vitória e fui convocado para a Seleção Brasileira Sub-17, 20 e 23. Foram 14 convocações no total. Fomos campeões do Torneio de Toulon, disputado na França, e Sul-Americano Sub-20. Depois disso, a Parmalat me contratou ao adquirir 50% do meu passe, e comecei dar os meus primeiros passos como atleta profissional.

DB – Como foi sua chegada ao Palmeiras depois das passagens por Vitória e Juventude?

Dedimar: Foi uma chegada cheia de expectativas. Na verdade, eu fazia parte de um time super vencedor, onde tinha Cafu, Veloso, Cléber, Luisão, Viola, Djalminha, Fred Rincón e Júnior. Eu tinha chegado pra ser o reserva imediato do Cafu. Mas, naquele ano não conseguimos fazer boas campanhas e o time não foi bem, principalmente no Campeonato Paulista, e acabou sendo frustrada a minha participação. Joguei 22 jogos e, infelizmente, não foi da forma que a gente planejava. E logo fui emprestado para o Atlético (MG) com a chegada do Luiz Felipe Scolari, houve a renovação de contrato, e depois houve um imbróglio com a lei do passe e tive bastante problemas. A minha chegada foi boa, mas no decorrer não correspondeu as expectativas, inclusive da torcida, e também minha, já que tinha planos para prolongar a minha caminhada no clube. Mas, faz parte.

DB: Todo jogador de futebol no Brasil sonha em atuar por uma equipe estrangeira, em especial, na Europa. Você tem a experiência de ter atuado no futebol japonês. O que acrescentou na sua carreira?

Dedimar: As minhas duas experiências no Japão – Jubilo Iwata e Tokyo Verde -, foram muito positivas. A primeira foi por necessidade em função dos problemas que tive na minha carreira com problema de passe e imbróglio entre clubes – Vitória e Palmeiras. Depois de oito meses parado sem jogar e ao menos treinar, eles entraram em um acordo e decidiram me emprestar para o Jubilo Iwata. Fui tentar recuperar a minha forma, joguei algumas vezes, mas estava totalmente fora de ritmo. Mas, foi o início do conhecimento de uma cultura que me apaixonei. Adorei a pontualidade, adorei a seriedade que eles levavam as coisas. Na época jogavam Dunga e Adilson Batista, estive com os dois, e o técnico era o Valmir Louruz [falecido em 2015]. Mais se tornariam referência como técnicos. Isso acrescentou muito na minha carreira. O futebol te proporciona tudo isso. Passei Natal e Ano Novo sozinho e fiquei muito tempo longe de todos. Mas, isso me fortaleceu muito.

DB: Além de grandes clubes do futebol nacional como Atlético (MG), Palmeiras e Coritiba, agremiações campeãs do Campeonato Brasileiro, você passou por times tradicionais, mas, de menor expressão como Paulista, Marília, Juventus e Santo André. A experiência nos grandes ajudou a desenvolver seu trabalho nos pequenos?

Dedimar: O clube grande te traz um certo comodismo e uma certa ilusão do que você tem e por que te dá na mão. O grande segredo nessa história é se você está aberto ou não para as coisas pequenas e grandes, boas e ruins, e para a realidade de vida. E eu estive aberto. Passar pelos clubes menores e emergentes pra mim foi fundamental. O que mais me trouxe maturidade no futebol foi isso. Eu pude ver a realidade direta dos atletas e de quem peleja. É uma oportunidade que o futebol te dá de se transformar diariamente. O futebol dá essas oportunidades para quem é determinado, perseverante e é sério. E assim foi durante a minha carreira. Passei por vários clubes pequenos e medianos e pude colaborar com algo que vinha trazendo de bagagem dos clubes maiores e ao mesmo tempo adquiria maturidade. Eram muitas dificuldades e várias situações inusitadas que vivia. Sempre trazia como parte positiva para resolver problemas. Os grandes clubes não me prepararam tanto, mas os pequenos me preparam muito mais.

DB: Você participou da campanha histórica do Santo André na Copa do Brasil de 2004, e dadas as devidas circunstâncias, foi o maior título da sua carreira?

Dedimar: Sem dúvida nenhuma foi o título mais expressivo da minha carreira. Analisando por todos os âmbitos, meios e os fatores que cercavam a gente. Tivemos uma sequência forte e grande de 2003 para 2004. Conseguimos a vaga na Copa do Brasil por sermos campeões da Copa Paulista de 2003 e nem fazíamos ideia do que nos aguardava. Diante disso fomos caminhando passo a passo, sabendo que foi a minha primeira experiência como zagueiro, onde tempos depois mudei de lateral-direito para zagueiro. Tudo começou no primeiro jogo contra o Novo Horizonte (GO) e não saí mais. Na verdade, eu fui improvisado e como o desempenho foi muito bom acabei dando sequência. Esse título da Copa do Brasil representou e ainda representa muito pra mim hoje, até por que ninguém conseguiu escrever uma nova história. Representou demais no sentido da conquista e liderança. Desde você vencer um dos maiores clubes e de maior torcida do País dentro do maior estádio que existe. Hoje a nossa história ainda ecoa e está gravada. E eu como representante e capitão, isso gerou um peso muito grande, de forma positiva. É uma história que jamais será esquecida e que me marca até hoje. Nenhum outro título me marcou tanto como esse.

DB: O duelo contra o Palmeiras naquela competição foi o jogo chave? Como era o ambiente do Ramalhão antes e depois daquela partida?

Dedimar: O duelo contra o Palmeiras começou no [estádio] Bruno José Daniel, em Santo André (SP), com um empate em 3 a 3. A grande verdade é que a achávamos que iríamos ser parados a qualquer momento. Só que ao mesmo tempo quando a gente reagia entendíamos que havia esperança. A gente estava construindo isso jogo a jogo. No segundo jogo na casa do Palmeiras [estádio Parque Antártica ou Palestra Itália, em São Paulo (SP)], a gente achou que poderia parar por ali, principalmente, quando eles [Palmeiras] fizeram 4 a 2, e lembro como hoje, que aquele placar estava eliminando as nossas esperanças. Mas, o nosso time estava com uma estrela muito grande, onde as nossas jogadas de bola parada eram fatais. E através de duas bolas paradas com participação direta minha conseguimos empatar. E o curioso naquela época é que estava tão compenetrado que não me atentei na questão do 4 a 4 e achava que a gente esta sendo eliminado. Eu só fui dar conta depois que o juiz apitou e que os caras começaram a correr. Depois foi que a minha foi cair. Estava tão cego pensando em virar o jogo para garantir a vaga. Foi um jogo muito interessante por que ali mostrou o nosso verdadeiro poder de reação que o time tinha naquela época.

DB: Como foi derrotar o Flamengo na final em um Maracanã lotado?

Dedimar: Derrotar o Flamengo no [estádio Jornalista Mário Filho], o Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), era uma missão praticamente impossível para todos. Mas, na verdade era algo que a gente não imaginaria que fosse acontecer. Por que? A gente não criava expectativas. A gente simplesmente se entregava no dia a dia. Nesse jogo buscamos a estratégia de não tomar gol no primeiro tempo, e isso foi combinado a exaustão, para que no segundo tempo a gente pudesse se soltar. E tudo aconteceu bem da forma que havíamos planejado. Considerando um time de camisa como o Flamengo e a torcida apreensiva, além de jogar contra um “time de pequeno porte”, obrigava os jogadores a fazer coisas que poderiam sair dos planos deles. E foi com esta estratégia diante de um público em que a gente já estava acostumado por ter jogado contra o Palmeiras, no Parque Antártica, e Atlético (MG), no Mineirão, conseguimos reverter este quadro a nosso favor. Todas as experiências anteriores serviram de combustível e maturidade para suportar a pressão no final. Conseguimos ser felizes no momento em que a gente precisou e eficazes nas bolas paradas. A partir disso, a gente só administrou, principalmente, por ter um time consistente. Foi perfeito e não há o que falar. Frustamos muita gente, mas deixamos muitos felizes.

DB: Faltou na sua carreira um título de expressão com a camisa do Palmeiras, já que foi campeão pelo Atlético (MG), Vitória, Coritiba, Santo André e Paulista de Jundiaí (SP)?

Dedimar: Como atleta faltou. Isso se deve muito a minha curta passagem no clube e as interrupções de contrato. Me prejudicou. Mas, faz parte. De repente estávamos guardando isso para outros lugares. Seria muito bom para o meu currículo e para a minha carreira ter um título pelo Palmeiras. Apesar de ter um título bem pequeno que foi o do Torneio Maria Quitéria, disputado na Bahia, que era considerado um torneio amistoso. Mas, de qualquer forma faltou um título expressivo pelo clube. Em compensação, depois enfrentamos o clube e conseguimos uma façanha por um clube mais emergente.

DB: O que significa e o que é o futebol pra você?

Dedimar: O futebol é uma grande ferramenta para transformar vidas. Ele é um grande agente transformador de pessoas e disciplinador. Traz experiências para quem quer adquirir experiências, conhecimento, expressão, notoriedade, além de conseguir transformar seus sonhos em muitas realidades. O futebol hoje é contagiante e apaixonante. Ele não é primeiro lugar na minha vida. Antes era. Hoje, Deus está em primeiro lugar. Mas, esta ferramenta chamada futebol é fantástica. Ela nos conduz a transformar outras vidas. Eu aprendi muito com o futebol e me proporcionou muitas coisas para ser quem sou hoje. Me proporcionou amadurecimento, entendimento, equilíbrio, superação e de ser um ser humano melhor em meio às gerações corrompidas. Muitos que hoje são “referências” não conseguem ser agentes transformadores para o bem, mas para o mau. Mas, o futebol tem um peso muito grande na minha vida.

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