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Gol de Placa: Nélio faz críticas ao “politicamente correto” e enaltece carreira com a camisa do Flamengo

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O ex-atacante Nélio dedicou quase 20 anos de sua vida para defender as cores do Flamengo - Crédito: Divulgação

O ex-atacante Nélio dedicou quase 20 anos de sua vida para defender as cores do Flamengo – Crédito: Divulgação

Antônio Boaventura
Rio de Janeiro, RJ, 10 de maio de 2020

Com quase 20 anos, entre categorias de base e profissional, dedicados ao Flamengo, Nélio da Silva Melo, 49 anos, conhecido como Nélio, afirmou que o futebol brasileiro está chato em função do postura adotada em volta do politicamente correto e enalteceu as conquistas que obteve durante sua carreira com a camisa do Rubro-Negro carioca. Além destes detalhes revelados, o ex-atacante revelou os motivos pelo qual não teve sequência com a camisa da Seleção Brasileira.

Revelado pelo time da Gávea em uma geração que também contou com Marcelinho Carioca, Djalminha, Paulo Nunes e Júnior Baiano, Nélio também vestiu durante sua carreira as camisas do Guarani, Athletico (PR) e Atlético (MG). Em seu currículo consta uma única experiência fora do País, quando esteve entre 2000 e 2001 para atuar com a camisa do húngaro Haladás. Ele também defendeu o Ituano, Paraná Clube, Americano, Guanabara (RJ), Pinheiros (ES) e Ypiranga (AP).

Dois fatos curiosos marcaram a carreira de Nélio. Mesmo sem defender as cores do Botafogo (RJ), ele registra em seu currículo passagens pelo Botafogo (SP) e Botafogo (PB). Além dessa coincidência, quis o destino que o mesmo pudesse dar seus primeiros e últimos passos no futebol pelo Flamengo. O início na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e o fim no município de Teresina (PI) aos 39 anos. Atualmente ele integra o quadro de comentaristas da Band, no Rio de Janeiro.

Confira quais foram os principais títulos conquistados pelo ex-flamenguista:

– Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Flamengo em 1990;
– Copa do Brasil pelo Flamengo em 1990;
– Copa Rio pelo Flamengo em 1991;
– Campeonato Carioca pelo Flamengo em 1991 e 1996;
– Campeonato Brasileiro pelo Flamengo em 1992;
– Campeonato Paranaense pelo Athletico (PR) em 1998;
– Copa Paraná pelo Athletico (PR) em 1998;
– Campeonato Mineiro pelo Atlético (MG) em 1999;
– Sempione Cup-Suiça pelo Ituano em 1999;

Diário da Bola – Quais foram as dificuldades que você enfrentou no seu começo de carreira?

Nélio: A gente sabe que nas categorias de base encontramos muitas dificuldades, apesar que eu tive dentro do Flamengo uma estrutura muito boa para desenvolver o meu futebol. Mas, a gente sabe que a maior dificuldade é a incerteza quanto a possibilidade de se tornar um jogador profissional. Isso sempre passa pela cabeça da gente. A trabalha no dia a dia e não sabe se realmente vai ser um grande jogador. Mas, trabalhei com muito afinco na esperança de um dia a gente estar entre os profissionais.

DB: Depois de passar pelo processo de formação nas categorias de base, você se sentiu um atleta realizado?

Nélio: Todo garoto que está na categoria de base sonha um dia ser jogador profissional, ainda mais você estando no Flamengo. Sabemos da dificuldade que é e cada vez mais vai afunilando no momento em que você vai subindo de categoria. Cheguei no Flamengo com quase 10 anos de idade e me tornei profissional aos 19, e os melhores vão ficando. Até chegar aos Juniores [atual categoria Sub-20], você ainda não sabe se vai ser profissional. Muitos estiveram comigo nos Juniores e não chegaram a ser profissional. E por esses motivos, sem dúvida nenhuma, me sinto bastante realizado.

DB: Como foi atuar no Flamengo com atletas da sua geração como Marcelinho Carioca, Paulo Nunes, Djalminha e Júnior Baiano?

Nélio: A felicidade é muito grande, mas não só da minha parte, porém, tenho certeza que de parte deles também por que jogaram comigo. Foram grandes jogadores e tiveram essa passagem no Flamengo pela qualidade que tinham a identificação com o clube. Mas, só foram ser grandes jogadores depois que saíram do Flamengo. O Marcelinho Carioca foi ser um grande jogador quando chegou no Corinthians. O Paulo Nunes que conhecemos, apesar de ter jogado bem no Flamengo, foi um grande Paulo Nunes no Grêmio. A gente sabia que era uma geração vencedora e ganhamos praticamente tudo nas categorias de base, além de conseguir a primeira Copa São Paulo, que o Flamengo tanto almejava em 1990. Subimos ao profissional e conquistamos a Copa do Brasil de 1990 e o Campeonato Brasileiro de 1992.

DB: O que significou vestir a camisa do Flamengo?

Nélio: Até, então, eu não tinha a dimensão do que era jogar ou vestir a camisa do Flamengo. Eu acompanhei o Flamengo das arquibancadas, até por que a minha família é de Rubro-Negros, e desde novo eles me levavam para o Maracanã. Aprendi a gostar do Flamengo por conta daquela geração de jogadores da década de 1980 composta por Zico, Andrade, Nunes, Adílio, entre outros, na época áurea do Flamengo. Mas, nunca imagina que um dia você também poderia vestir a camisa do Flamengo. Isso foi muito trabalho e acreditar em si. Esse era o sonho que sempre tive em mente. Desde jogar no Maracanã e ser ídolo de uma grande torcida. Realmente, não tem preço que pague.

DB: A partir de 1995, o Flamengo emprestou você para Guarani, Athletico (PR) e Fluminense. O que esse período fora do Rubro-Negro carioca agregou no seu retorno em 1998?

Nélio: Eu saí algumas vezes. No Guarani ficamos em 4º lugar no Campeonato Paulista de 1995 e 6º colocado no Campeonato Brasileiro de 1996. Apesar de ter saído do Flamengo, a gente encontrou pela frente outras dimensões, que eu também não tinha essa experiência. Depois do Flamengo, o Athletico (PR) foi o melhor time que passei em termos de estrutura. Tive uma passagem rápida pelo Fluminense, já que tinha um contrato de 6 meses e fiquei cerca de 3 meses. Não tinha condições de trabalho por que o clube havia caído e a estrutura, realmente era muito ruim. Já o Guarani, Athletico (PR) e Atlético (MG) foi diferente. No Guarani não consegui ser campeão, mas no Athletico (PR) fui campeão Paranaense em 1998, depois de oito anos sem o título estadual. O Furacão tinha grandes jogadores como Paulo Rink e Oséas. E o Atlético (MG) foi outro que somou bastante ao ser campeão mineiro.

DB: Além do time da Gávea, você tem um histórico por clubes de pequeno e médio porte do futebol brasileiro. Como foi encerrar a carreira no Flamengo (PI)?

Nélio: Coincidentemente outro Flamengo e vermelho e preto. A gente também passou por outros clube de médio porte, alguns com uma estrutura melhor e outros nem tanto. E quando você chega numa idade e sabe das suas reais condições e aquilo que o clube pode te oferecer, decidi ao chegar no Flamengo (PI) parar. Apesar de terem me recebido muito bem não tinha estrutura para desenvolver o meu futebol. Pra mim chega por que aqui não vou conseguir desenvolver o que quero fazer. O clube tinha algumas expectativas grandes como jogar a Copa do Brasil ou outro campeonato importante. Mas, quando você sabe que não tem mais condições e o clube também não te oferece condições para que você possa trabalhar, é melhor você parar.

DB: Você viveu em sua carreira os dois lados da moeda dentro do futebol. Quais foram os ensinamentos desta experiência?

Nélio: A gente sabe que no futebol tem os dois lados da moeda e você tem de estar preparado. Um dia você está em um grande clube, mas também há momentos em que você precisa dar alguns passos pra trás para poder resgatar aquilo que sempre fez. O futebol é muito dinâmico. Hoje você é o líder de uma torcida e depois essa mesma torcida pode estar te criticando e não quer mais você no clube. O jogador tem que ter muito pé no chão, ter tranquilidade e trabalhar, acima de tudo, além de ter a estima elevada e saber o que pode render para o clube e o elenco. A dedicação também precisa ser o máximo possível independente do time que esteja para colher os frutos futuramente.

DB: Como foi a sua única experiência internacional quando vestiu a camisa do Haladás (Hungria) no ano de 2000?

Nélio: Na época eu estava sem clube e foi feito um trabalho com alguns jogadores de categorias de base com passagens pelos grandes clubes do Rio de Janeiro de até 21 anos, salvo engano. Foi formado um grupo para poder viajar e fazer alguns jogos em países europeus e houve o convite do Areias, já que o técnico era o Toninho Barroso, para poder treinar com a garotada, independente de qualquer coisa, e estava certo que eu não iria viajar por que já tinha uma certa idade [29 anos] e a proposta era fazer um grupo de jogadores para encaixar nesses clubes fora do País. Mesmo assim, surgiu a proposta de viajar e fizemos alguns jogos na Espanha e depois nós fomos para a Hungria. E de quase 22 jogadores eu fui o único jogador que fiquei. Nós fizemos dois ou três treinos contra o Haladás (Hungria) e gostaram demais da minha performance. Não tinha levado roupa e recebi a informação de que o clube queria que eu ficasse. Foi uma experiência muito boa e a cidade em que eu estava ficava à apenas uma hora de Budapeste, capital da Hungria, e o único problema foi o frio, já que em alguns dias a temperatura chagava à 20 graus negativos.

DB: Na sua geração, a provocação entre atletas de clubes rivais fazia parte do cotidiano profissional, algo que se perdeu com o tempo e que atualmente vira até motivo de brigas ríspidas entre atletas por conta da postura do “Politicamente Correto”. Faz falta ao futebol o comportamento de jogadores de gerações anteriores? Como você enxerga este cenário atualmente?

Nélio: Hoje está muito certinho. Você não pode provocar ninguém e hoje você não pode fazer um gol e correr para a torcida adversária, hoje você não pode comemorar o gol de determinadas formas. Isso é muito ruim. A gente tinha grandes jogadores que falavam que iria fazer e faziam. Tivemos o Túlio [Maravilha], tinha Romário, tinha Renato Gaúcho e ficava por ali mesmo. Eram feitas muitas apostas entre zagueiros e atacantes. Hoje, se você falar alguma coisa como fazer dois gols em uma equipe já começa a provocação e o torcedor acha que você está desmerecendo alguém, quando na verdade não é isso. Na verdade era para promover o espetáculo e pude ver grandes desafios entre o Romário e o Renato Gaúcho, o próprio Túlio e o Edmundo. Infelizmente, hoje, você não pode falar mais nada e nem comemorar gol como presenciamos em algumas situações com o Gabigol [Gabriel Barbosa]. Isso é chato e ruim para o futebol e as pessoas que estão assistindo.

DB: Como foi jogar ao lado do seu irmão, Gilberto Melo, no Flamengo?

Nélio: Joguei com ele nos anos de 1996 e 1997, e fomos campeões carioca em 1996, de forma invicta. Essa foi uma das maiores performances do Flamengo em números. Tive a felicidade de jogar com ele. Depois jogou em grandes clubes como Grêmio, Cruzeiro, Internazionale (ITA), Herta Berlim (ALE), além de ter participado de duas Copas [2006 e 2010] com a Seleção Brasileira. A gente fica feliz por que ele sempre batalhou e correu atrás, e ser campeão ao lado dele é muito gratificante.

DB: Na sua carreira não faltou uma sequência maior com a camisa da Seleção Brasileira?

Nélio: Eu tive uma passagem em 1992 na Seleção Pré-Olímpica, onde acabamos não nos classificando para os Jogos Olímpicos de Barcelona (ESP). Nesse meio tempo acabei machucando o joelho e tive um problema muito sério com ligamento na final do Campeonato Brasileiro de 1992 contra o Botafogo (RJ) e o [Carlos Alberto] Parreira já estava de olho. Eu poderia ter ido nessa Copa do Mundo de 1994, mas o problema no joelho que me deixou quase 5 meses em recuperação. Foi um baque muito grande por que estava praticamente convocado. Ganhei a Bola de Prata como melhor jogador de 1992 no futebol brasileiro com Bebeto e Renato Gaúcho entre os escolhidos também, e meu nome já era certo em um lista de pré-convocação. Deus sabe o que faz! Meu irmão teve a oportunidade de estar em duas Copas e ficamos feliz por ele.

DB: O que significou o futebol?

Nélio: Futebol é a minha vida e foi a minha vida. Antes, durante e depois. Até hoje respiro futebol. A gente fica feliz por um resultado e dever cumprido. Tudo o que eu poderia fazer eu fiz. Joguei com grandes jogadores e fui campeão Brasileiro, campeão Carioca, campeão da Copa do Brasil e vesti a camisa da Seleção Brasileira e estive na Seleção Pré-Olímpica [de 1992]. Isso é a realização de qualquer garoto. A gente fica feliz de alguma forma pela oportunidade de ter jogado num grande clube como o Flamengo, onde muitos jogadores passam e não deixam uma história. E tenho uma história no clube, já que foram quase 10 anos até os Juniores e outros 10 como profissional.

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