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Covid-19: Governo paulista autoriza volta aos treinos dos clubes da Série A1 em 1º de julho

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Um dos principais palcos do futebol paulista, o estádio do Pacembu, abriga atualmente um hospital de campanha para atendimento de pacientes com Covid-19 - Crédito: Pedro Azevedo

Um dos principais palcos do futebol paulista, o estádio do Pacaembu, abriga atualmente um hospital de campanha para atendimento de pacientes com Covid-19 – Crédito: Pedro Azevedo

Da Redação com Agência Brasil
São Paulo, SP, 17 de junho de 2020

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (17) que os clubes de futebol da primeira divisão – Série A1 do Campeonato Paulista – estão liberados para voltar a treinar a partir do dia 1º de julho, seguindo normas de segurança que evitem a propagação do novo coronavírus (Covid-19). Segundo o coordenador do Centro de Contingência do Estado, Carlos Carvalho, o protocolo da Federação Paulista de Futebol (FPF), elaborado em conjunto com as agremiações, foi aprovado com ajustes e será repassado à entidade e às equipes. O torneio paulista foi paralisado há três meses devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

“Diante das propostas [de retomada de atividades] que chegaram, a mais bem formatada nos critérios de saúde foi a do futebol”, afirmou Carvalho, durante entrevista coletiva. “Com esses ajustes, o protocolo será levado à FPF, que o passará aos clubes, e eles terão esse período de mais ou menos duas semanas para realizar ajustes de segurança e testes em todos os envolvidos para sabermos a condição dessas pessoas para a volta aos treinos”, explicou.

“Os protocolos se referem apenas ao retorno aos treinos. A retomada das partidas será avaliada em fases posteriores em contato com a FPF e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF)”, reforçou Doria, também em entrevista coletiva. “Sabemos que vamos contar com a colaboração da Federação e dos dirigentes. Tenho convicção que nenhum dirigente deseja risco a seus atletas e profissionais”, destacou.

A FPF, por sua vez, reagiu com “estranheza” ao anúncio. Em nota oficial publicada após a coletiva do governo estadual, a entidade diz que considera a data de retorno “distante” e entende não existir “explicação plausível e científica” para a medida. “Assim, os profissionais do futebol, que dependem de seu condicionamento físico para exercer suas atividades, seguem impedidos de trabalhar”, diz a nota da Federação. Ainda conforme a nota, foi convocada uma videoconferência sobre o tema com os 16 clubes da Série A1 para a próxima quinta-feira (18), às 15h.

O documento elaborado em conjunto pela FPF e clubes estabelece medidas como higienização e desinfecção dos locais de treinamento; realização de testes – a cada mudança de fases – em todos os envolvidos; e uso obrigatório de máscara (exceto aos atletas em atividade física). O protocolo determina ainda a retomada dos treinos com trabalhos individuais e ao ar livre, que os profissionais tenham equipamentos de hidratação individuais e adotem uma rotina “casa-treino-casa”, mantendo isolamento social.

“Com relação à frequência da testagem, a nossa recomendação foi: uma [testagem] no tempo zero de todo mundo, com a qual será feito o PCR, que é a pesquisa que verifica se existe o vírus no indivíduo; e a testagem da sorologia, para saber quem teve contato [com o vírus] ou já tem proteção. Os indivíduos serão observados de maneira diferente. O sem proteção será testado de cinco a sete dias, dependendo da condição de saúde. Detectado o indivíduo com o PCR positivo, ele é isolado, assim como os contactantes, e será feito um novo teste em três dias”, detalhou Carvalho.

O estado de São Paulo está desde 24 de março em quarentena. Na última quarta-feira (10), o período foi prolongado até o próximo dia 28 de junho. No início do mês, o governo paulista colocou em prática um protocolo gradual e regionalizado para reabertura de atividades em cinco fases, caracterizadas por cores, chamado “Plano São Paulo”. Quanto mais avançada a etapa, maior a flexibilização. A maior parte das cidades se encontra na segunda fase, que permite a reabertura de concessionárias, escritórios, comércio e shoppings, com restrições.

O “Plano São Paulo” é revisto a cada duas semanas. A próxima atualização será em 26 de junho. Segundo Carvalho, o sistema de fases deverá ser respeitado, mesmo após a liberação dos treinos. “Se o clube estiver na zona vermelha (equivalente à primeira fase, que autoriza só atividades essenciais), ele não poderá praticar o treinamento naquele município, somente em cidades que estejam em outra fase”, resumiu.

A proposta para viabilizar a volta aos treinamentos foi enviada ao governo paulista após videoconferência entre Federação e clubes no último dia 5. Na semana seguinte, o documento também foi apresentado ao prefeito de São Paulo, Bruno Covas, pelos presidentes dos times da capital (Corinthians, São Paulo e Palmeiras). Segundo a FPF, o procedimento seria adotado pelas outras 13 equipes da Série A1 nas respectivas cidades. Os dirigentes afirmaram, na ocasião, que o protocolo era mais rigoroso que o previsto pelo Estado para liberação de atividades durante a flexibilização da quarentena.

As equipes estão afastadas dos gramados há três meses, desde a suspensão do Campeonato Paulista. A última partida foi disputada em 16 de março, quando o Guarani venceu a Ponte Preta por 3 a 2 em Campinas (SP), com portões fechados – como ocorrerá quando a competição for retomada. O torneio foi paralisado na 10ª rodada, faltando duas para o término da primeira fase. A FPF defende que a competição seja finalizada “em campo”.

Segundo Carvalho, do Centro de Contingência, a previsão é que somente a partir de agosto seja possível pensar na volta do campeonato. “Os treinos são fundamentais para o preparo do atleta à volta ao esporte em alto nível. Será preciso um período de ao menos quatro semanas para esse preparo físico”, concluiu.

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