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Série D: Presidente do Rio Branco (AC) confirma goleiro Bruno como reforço para sequência da temporada

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Aos 35 anos, o goleiro Bruno Fernandes tenta retomar a carreira no futebol mesmo atrás das grades - Crédito: Renata Caldeira

Aos 35 anos, o goleiro Bruno Fernandes tenta retomar a carreira no futebol mesmo atrás das grades – Crédito: Renata Caldeira

Da Redação com Agência Brasil
Rio Branco, AC, 30 de julho de 2020

Em menos de 24 horas, o anúncio do Rio Branco (AC) da contratação do goleiro Bruno provocou uma série de problemas para o clube do Acre. O principal patrocinador, que apoiava o clube há 14 anos, rompeu contrato, a seccional do Acre da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AC) emitiu nota de protesto e a treinadora do time feminino, Rose Costa, pediu demissão após um contundente desabafo em seu perfil numa determinada plataforma de comunicação na rede social.

“Atletas são figuras públicas, e socializam e influenciam comportamentos, e meu humilde entendimento é que essa oportunidade dada ao goleiro Bruno Fernandes, em nossa amada equipe, legitima a ineficiência das leis em nosso país, socializa ainda mais a impunidade aos feminicidas e, por fim, macula a imagem de nossa equipe, pois o crime orquestrado por ele é reconhecidamente hediondo”, escreveu Rose Costa.

Apesar de toda a repercussão negativa, o presidente do Rio Branco confirmou à Agência Brasil que vai manter a contratação do ex-jogador do Flamengo. “Não imaginava que isto aconteceria, mas não volto atrás e vou manter minha palavra com ele, que chega sexta-feira (31) ao estado, que se dividiu nesta história”, avisou o dirigente, avaliando que, se não contratar Bruno, o vai condenar novamente.

“Não vou fazer apresentação, porque ele vai ser tratado como um jogador comum no elenco. Vamos fazer um contrato de 6 meses e vem como reforço para o segundo turno do estadual, a Copa Verde e a Série D do Campeonato Brasileiro. Se conseguirmos uma vaga para a Copa do Brasil, ele pode continuar, mas também está livre caso tenha uma oportunidade melhor”, explicou Valdemar neto, presidente do Rio Branco (AC).

Para o professor da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro Rodrigo Machado Gonçalves, o atleta sofre um linchamento moral contínuo: “É uma pena perpétua. Apesar de já ter sido preso e condenado, ele não tem o direito ao esquecimento, algo que é agravado pelo tribunal da web e por se tratar de uma pessoa pública”. Segundo o especialista em processo penal, o trabalho é uma das exigências legais para a reinserção do preso à sociedade: “Jogar bola é a expertise dele. O crime não foi cometido dentro do campo para ele ser banido do esporte”.

Bruno tem 35 anos e já tentou retornar aos gramados pelo Boa Esporte (MG ) e pelo Operário (MS). Em ambos os casos, acabou rechaçado pelas torcidas e não conseguiu prosseguir. O goleiro foi condenado a 20 anos e 9 meses de prisão pelo homicídio de Eliza Samudio, cometido em 2010. Desde julho do ano passado, o jogador passou a cumprir a pena em regime semiaberto. Nas redes sociais, em um perfil seguido por quase 59 mil pessoas, o atleta publica diversos vídeos, treinando na posição que o levou ser o número 1 do time de maior torcida do país.

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