Especial: Ex-árbitra no Brasil, Graziele Crizol apita futebol para alunos de intercâmbio e jogos amadores

Ex-árbitra da FPF e da CBF, Graziele Crizol comanda o departamento de marketing de uma escola de inglês nos EUA

Graziele Crizol em confraternização com atletas do intercâmbio em solo norte-americano - Crédito: Ernesto Velasco

Leandro Martins
Califórnia, EUA, 09 de maio de 2019

Graziele Crizol apitou futebol no Brasil durante dez anos. De 2004 a 2014, atuou no Campeonato Paulista e Brasileiro femininos e fez muitos amigos dentro e fora de campo. Quando pendurou o apito, recebeu um convite para trabalhar em um projeto de futebol feminino na A.D. São Caetano, clube com sede no ABC Paulista. Para entender melhor o mercado, viajou para os EUA em 2015. E não voltou mais. São três anos e meio morando na terra do Tio Sam.

“Vim aos EUA para conhecer um pouco melhor o futebol feminino. Fiquei admirada com o volume de investimentos que eles fazem nos projetos femininos. Todas as categorias são contempladas. Aqui, o esporte é tratado como um elemento de desenvolvimento humano. Por isso, acaba se tornando mais fácil captar recursos para os projetos que, em sua maioria, são duradouros. Além disso, quase todos os projetos contam com o apoio do governo”, completou.

Ao comparar o futebol feminino no Brasil e nos EUA, a ex-árbitra é categórica. E nos EUA, Graziele começou a apitar jogos amadores de diversas categorias, chegando depois ao profissional. No entanto, ao fazer os testes, veio a dura constatação. “Não tem comparação. Aqui, tem até linha de materiais esportivos especificamente para as meninas. Elas começam a praticar esporte e futebol desde pequenas. Eu notei que meu corpo já não aguentava mais o ritmo do alto rendimento. Então, decidi me aposentar da arbitragem e me matriculei em uma escola de inglês”, contou.

Sempre simpática e sorridente, logo recebeu convite para trabalhar na própria escola, na parte de vendas, marketing e recrutamento de estudantes para intercâmbio. Hoje, Graziele Crizol é referência em intercâmbio na Califórnia pela escola Language Systems, na qual coordena o departamento da área, no marketing Brasil.

“Jamais me imaginei trabalhando com vendas. Hoje, vários brasileiros, dentro e fora do futebol, me procuram para realizar intercâmbio e para aprender o idioma. Meu maior prazer é dar suporte, apoio e acolhimento a estudantes, famílias e jogadores. Acredito que tenho até mais sucesso no que faço hoje do que quando fui árbitra”, relatou.

Apesar de não apitar mais, a “juizona” não deixou de opinar sobre um assunto polêmico que hoje toma conta das análises esportivas. O papel do VAR, o árbitro de vídeo. “Entendo que o VAR pode agregar à maneira de apitar futebol. Nem sempre, o posicionamento do árbitro é favorável em campo. Porém, com VAR ou sem, sempre haverá polêmica e reclamação. É uma questão cultural. Aqui nos EUA, ninguém questiona a autoridade da arbitragem. Nem a maneira como o árbitro conduz a partida”.

Graziele é grata pelos anos que pôde exercer a arbitragem. “Aprendi mais fora do que dentro de campo e aprendi a lidar com situações da vida. A arbitragem é uma grande escola para um ser humano. Testa você o tempo todo. Seu autocontrole, seu equilíbrio, seu foco. O futebol me fortaleceu. Me senti realizada e alcancei todos os objetivos que tracei”, finalizou.

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