Opinião: Após centenário de sucesso, Botafogo faz planejamento de alto nível para Paulistão e Série B

Fora de campo o Pantera de Ribeirão Preto trabalhou profissionalmente em 2018, quando foi para as quartas de final do Paulistão, e garantiu o acesso na Série C. E, para brilhar outra vez em 2019, o treinador foi mantido e os reforços chegaram

Coluna Futebol Caipira, por Luiz Ademar
Ribeirão Preto, SP, 17 de janeiro de 2019

O centenário do Botafogo, em 2018, foi vitorioso! Não teve título, é verdade, mas o sucesso veio por todo planejamento, profissionalismo e competência de todos os integrantes da diretoria, da comissão técnica e, dentro de campo, dos jogadores, contando sempre com o apoio da fanática torcida do Pantera de Ribeirão Preto.

No ano em que o Botafogo completou 100 anos de fundação (12/10/1918), a campanha no Campeonato Paulista da Primeira Divisão, onde há anos se consolidou, foi brilhante. Na primeira fase, no grupo do Santos, ao lado de Red Bull Brasil e Mirassol, o Pantera se classificou para as quartas de final, com 16 pontos, dois a menos que o Peixe.

Já nas quartas de final, diante do Santos, fazendo o segundo jogo na Vila Belmiro, arrancou dois empates sem gols e foi eliminado somente nas cobranças de pênaltis. Bela campanha do Pantera, do técnico Léo Condé.

Com a mesma comissão técnica, mas com reformulação em parte do elenco, que precisou reduzir custos por causa da deficitária Série C do Campeonato Brasileiro, o Botafogo seguiu competitivo. O objetivo era o sonhado acesso para a Série B. E, sem sustos, o Pantera se manteve firme dentro do G4 ao longo das 18 partidas da primeira fase, onde terminou na liderança, com 35 pontos.

Classificado para as quartas de final, na primeira colocação do Grupo B, o seu adversário no mata-mata decisivo, valendo acesso à Série B, foi o Botafogo, da Paraíba. Derrota, fora de casa, por 1 a 0, e vitória em Ribeirão Preto, pelo mesmo placar. E os pênaltis que tiraram o Pantera das semifinais do Paulistão, agora favoreceram o time paulista, que ganhou e subiu.

Com o acesso para a Série B garantido, o Botafogo vacilou nas semifinais. Depois de empatar, fora de casa, por 0 a 0 com o Cuiabá, acabou perdendo em Ribeirão Preto e não foi para a final. Mas nada que apagasse outra bela campanha, onde o objetivo foi alcançado, mesmo sem título.

De olho no futuro, a diretoria do Botafogo trabalhou rápido. Renovou o contrato da comissão técnica, capitaneada pelo competente técnico Léo Condé, e já pensando em 2019 foi contratando reforços no final da temporada passada. E todos os jogadores que foram chegando, ou já haviam trabalhado com o treinador, ou já defendido o Pantera, ou chegaram muito bem recomendados.

Ainda em dezembro de 2018, o Botafogo anunciou o primeiro reforço. O volante Denilson, revelado na base do São Paulo, com passagem pelo Arsenal, da Inglaterra, e que estava no Al Whada, dos Emirados Árabes. E os contratos de Plínio, Lucas Mendes e Pimentinha foram renovados, sem contar que a Kappa virou a nova fornecedora de materiais esportivos do clube.

Em seguida foram chegando o goleiro Rodrigo Viana (ex-São Bento, que havia trabalhado com Léo Condé na Caldense-MG e no Sampaio Corrêa-MA). Ele chegou para ser titular, mas recebeu muito bem os reservas Darley (ex-Boa Esporte-MG) e João Vitor (ex-Anápolis-GO, que trabalhou na base do Atlético-MG com Condé).

Wellington Bruno, que havia defendido o Botafogo em 2014, retornou ao clube após quatro anos jogando na Tailândia. Bem recomendados e com acessos na bagagens, chegaram o zagueiro Edney, que subiu com o Cuiabá, e o volante Evandro, que subiu com o Bragatino.

Na reta final de 2018 ainda foram confirmados os meias Renan Oliveira (ex-CRB), Brayan (ex-Paulista, que estava no Sub 20 do Flamengo) e Nadson (ex-Paraná, que trabalhou com Condé no Sampaio Corrêa), os atacantes Jean Silva (ex-Ypiranga-RS) e Rafael Costa (ex-CRB), além do lateral direito Maicon Silva (ex-Londrina). E o volante Diones, que jogou o Paulistão de 2018 pelo Pantera, retornou após passagem pelo Juventude.

No início de 2019, o Botafogo ainda trouxe o volante Willian Oliveira, que estava no Guarani, e os laterais esquerdo Leonan, campeão da Série B pelo Fortaleza, e Pará, ex-Guarani. Por último, retornou ao Pantera o zagueiro Naylhor, que fez a dupla titular de 2018 com Plínio. O jogador estava na Série B defendendo o Vila Nova-GO.

Com o elenco pronto para a temporada de 2019, ninguém pode falar que a diretoria e o técnico Léo Condé não trabalharam muito bem. O Botafogo está forte e competitivo para o Paulistão, com excelente base para a Série B, e atento ao mercado para negociações de ocasião que podem acontecer ao longo do ano.

É verdade que no futebol não existe mágica. Todo o trabalho feito de maneira adequada, fora de campo, pode naufragar se dentro de campo o time não der liga. Porém, com um treinador competente, que foi mantido no cargo e tem vasta experiência no mundo da bola, a única certeza é que o Botafogo está no caminho certo! Estruturado, profissionalizado, honrando os seus compromissos financeiros em dia e com visão empresarial.

Resta agora ao Botafogo jogar bola e transformar em sucesso a temporada de 2019, assim como foi a temporada de 2018. E quem sabe brilhando outra vez no Paulistão e conquistando o acesso ao Brasileirão de 2020. O trabalho foi planejado para isso! E antes mesmo de iniciar a temporada, indiferente a qualquer coisa, é preciso deixar claro: o Pantera está forte, dentro e fora de campo!