Opinião: A aposentadoria de Ronaldinho Gaúcho

Ex-craque do Grêmio, Atlético (MG), Flamengo, Barcelona (ESP), PSG (FRA) e Milan (ITA) anunciou sua aposentadoria dos gramados na última semana

Coluna Esporte na Rede, por Leandro Martins
São Caetano do Sul, SP, 23 de janeiro de 2018

Vou um pouco na contramão dos elogios até exagerados que a mídia faz com relação ao Ronaldinho Gaúcho. Concordo que ele foi, de fato, um jogador espetacular, na acepção da palavra. Ou seja, em campo, dava espetáculo. Ronaldinho não era sempre um jogador objetivo, mas dava dribles desconcertantes e fazia gols acrobáticos, de pura técnica, aliada à força e à velocidade.

Mas (e sempre há um “mas”), sua vida desregrada fora do campo fez com que vivesse momentos de altos e baixos, em uma constante oscilação. É o que diferencia a longevidade da carreira dele comparada a de jogadores como Messi e Cristiano Ronaldo. Ronaldinho foi muito vencedor, claro. Poderia ter sido mais. A imagem dele caindo no colchão no meio de campo, com uma moça loira, durante um “treino” (treino?) da Seleção Brasileira, na Copa de 2006, é algo ainda lembrado por muita gente como um fato que, de certa forma, prejudicou sua imagem.

Ronaldinho era o típico boleiro. Dava caneta, elástico, batia bem na bola. Fazia belos gols de falta. Mas não estava nem aí para ter que concentrar, cuidar do corpo, não beber, não voltar de madrugada. É o chamado bon-vivant. Não foi atleta. Foi talento puro! Por isso, foi meteórico! Teve um curto período de auge em sua carreira. Foi estratosférico, colossal, marcante, apaixonante! Mas não foi longevo em alto nível.

Messi foi, sem dúvida, o melhor jogador que vi em campo em minha vida. Talentosíssimo! Extremamente técnico, porém, cerebral. Raciocínio mais rápido que um raio! Físico sempre em dia. Quieto. Avesso à mídia e festas públicas. Prefere fazer a falar. Cristiano Ronaldo não é tão talentoso quanto Messi e quanto Ronaldinho. Mas é consistente. Genial, por vezes. Esforça-se muito! Treina demais! É o atleta em sua forma mais bem acabada, comprovando que a repetição pode sim, levar próximo à perfeição.

Ronaldinho perde para os dois no quesito longevidade em alto nível. E, com isso, no currículo de títulos, embora tenha uma Copa na conta. Algo que Messi e CR7 não possuem. Gaúcho nunca se importou tanto com o físico. Vivia com o “porta-malas” (o bumbum) grande. Mas era forte feito um touro. Se tivesse se cuidado mais, poderíamos ter visto belos confrontos entre esses três. Ronaldo de Assis Moreira nos proporcionou momentos mágicos. Mas, infelizmente, nos privou dos referidos embates.

Assim como subiu, desceu. Não passou em branca nuvem. Foi intenso, místico! Suas bruxarias duraram 888 partidas, com 335 gols marcados. Um sem-número de dribles e acrobacias. Os jogos terminaram. As festas e noitadas continuarão ainda por longo tempo. Destas, Ronaldinho não se aposentará tão cedo. Um abraço e até a próxima!