Opinião: A Copa São Paulo ainda revela jogadores?

Competição que revelou craques como Djalminha, Kaká, Casagrande, Neymar e outros, hoje, sobrevive de incertezas quanto a possibilidade de revelar novos atletas

Coluna Esporte na Rede, por Leandro Martins
São Caetano do Sul, SP, 16 de janeiro de 2018

Em um passado não tão distante, a Copa São Paulo de Futebol Júnior era uma das competições mais charmosas do Brasil. Precedia o calendário dos campeonatos oficiais e trazia aos olhos do grande público nomes que almejavam subir aos respectivos times profissionais. Garotos que queriam fazer sucesso em um time grande, aqui no Brasil. Que sonhavam em ser ídolos dos clubes brasileiros.

Em que ponto da história essa chave virou? Vejamos. Após a atualização da chamada Lei Pelé, os jogadores passaram a ter controle sobre seus direitos federativos. O passe, que acorrentava os jogadores aos clubes, deixou de existir. A situação, então, passou a ser dominada pelos empresários. Os jogadores quase deixaram de ser ativos dos times, que tiveram de mudar as formas contratuais para também garantirem seus direitos.

A facilidade maior de transação por parte dos empresários fez com que o mercado e as possibilidades se ampliassem para os atletas, que passaram a escolher onde queriam atuar. A mobilidade dos jogadores aumentou. Hoje, aquele sonho de subir ao elenco profissional do seu time formador praticamente não há. O dinheiro manda. Quem oferecer um contrato mais vantajoso, arrebata o coração (e o bolso!) do jogador.

Os casos de amor são raros. Os últimos de que lembramos: Marcos, no Palmeiras; Rogério Ceni, no São Paulo… Mais algum? Dudu, do Palmeiras, tem ido na contramão da atualidade e recusado propostas para sair. Talvez, queira ser ídolo do Verdão. Caso realmente raro hoje em dia.

Com 128 equipes, a Copa São Paulo tornou-se uma competição política e inchada. Os jogadores querem aparecer para, rapidamente, arrumarem um lugar para jogar. Se será no clube formador ou não, pouco importa. Alguns sonham com a Europa antes mesmo de almejarem uma vaga no elenco profissional de um time no Brasil. A Copinha perdeu em atratividade. Hoje, mistura-se com o início dos campeonatos estaduais das equipes profissionais. Virou uma bagunça.

Infelizmente, aquele passado mais romântico não existe mais. O futebol virou um grande negócio. É melhor para os clubes contratarem do que apostarem na base. Contratando, você pode beneficiar aquele seu amigo empresário. Pode mexer no cofre do clube. Se usar a base, muito mais barata, como movimentar milhões?

Por isso, com uma ou outra exceção, como Neymar, Gabriel Jesus e agora, Vinícius Júnior, não acredito que veremos tão cedo revelações como Casagrande, Marcelinho Carioca, Djalminha, Evair, Luizão, Rivaldo, Rivelino e tantos outros que fizeram da Copa SP uma vitrine para realizarem o sonho de meninos. Serem jogadores profissionais. Muitos, no próprio time de coração.