Opinião: Deixem os árbitros errarem em paz!

Colunista ressalta a diferença da atuação da arbitragem no duelo final do Campeonato Paulista com o desempenho do árbitro que apitou Palmeiras e Internacional (RS) pelo Brasileiro

Coluna Esporte na Rede, por Leandro Martins
São Caetano do Sul, SP, 24 de abril de 2018

Os erros de arbitragem não são nenhuma novidade no futebol. Não sendo propositais, os equívocos fazem parte do jogo. O que acontece é que, a cada ano, as emissoras de TV investem mais e mais em tecnologia. São dezenas de câmeras em uma transmissão de futebol, além de recursos gráficos como lupas e animações que facilitam a identificação de uma situação na partida, seja acerto, erro de arbitragem, briga entre jogadores, invasão de campo, entre outros.

No que tange ao apito, a discussão tomou um novo rumo. É preciso que os erros acabem para que as competições atinjam um patamar de lisura e justiça esportiva. Até aí, maravilha. O VAR, ou árbitro de vídeo, já é usado em vários campeonatos do mundo. Mas, no Brasil, ainda não é oficial. Em algumas partidas do Brasileirão do ano passado, ficou claro e evidente que houve interferência externa para corrigir erros de arbitragem. Isso é reapitar um jogo! Não pode!

Quem não se lembra do Fla-Flu, em Volta Redonda, em que o Fluminense fez um gol que só foi anulado quase dez minutos depois, graças à interferência fora do campo? Detalhe: sem o auxílio externo, o bandeirinha já havia marcado corretamente o impedimento. O VAR não pode ser usado disfarçadamente. Ou o método vale, ou não! Erros de arbitragem são comuns! Vão continuar acontecendo! A favor e contra as mais diversas equipes! Querem que os erros cessem? Instituam o VAR (embora, é bom que fique claro, os erros diminuirão, mas jamais acabarão, porque, nem sempre, um ângulo de câmera tira uma dúvida crucial)!

Os clubes rejeitaram a proposta da CBF para a implantação este ano, que, diga-se de passagem, foi, de fato, muito mal feita. Teremos VAR a partir das quartas-de-final da Copa do Brasil esse ano. Teremos VAR também nas semifinais e final da Libertadores. É preciso ampliar. Do contrário, deixem os árbitros errarem em paz! Reforçando: sem má intenção ou má fé.

Tem aí, também, um outro erro que a mídia comete. Ou que, pelo menos, pela falta de clareza, induz o público a cometer. Vejo torcedores, o tempo todo, dizendo: “se tivesse árbitro de vídeo, ele ia marcar pênalti. Ia rever o lance, ver o contato e marcar!”. Gente! Falta é um lance de INTERPRETAÇÃO no futebol. O árbitro pode ter visto até um toque, mas se ele não julgou que foi suficiente para desequilibrar o atleta, ele não vai marcar! É a INTERPRETAÇÃO DELE!

Nem todo contato é falta! Futebol é um esporte de contato. Da mesma maneira que, nem todo jogador que atingir a bola primeiro e o atleta depois, vai estar isento da infração! Se o árbitro julgar que foi com força excessiva, imprudência, ele vai marcar a infração! Afinal, o jogador pode tocar a bola primeiro e quebrar a perna do adversário, na sequência! Interpretação não é pra ser julgada pelo VAR! Isso é o lance do árbitro de campo! Do contrário, estamos reapitando um jogo e tirando a autorização de quem manda na partida!

Já que o VAR não é oficial, deixem os árbitros errarem em paz! Que eles possam seguir suas interpretações e não ter as ações reapitadas pelo uso pirata da imagem. No entanto, uma outra discussão deve ser levantada e aprofundada aqui: afinal, os árbitros são mal preparados? Mal treinados? Talvez… não há sequer uniformidade na aplicação das regras… Deveriam ser profissionais e viverem apenas disso? Com certeza! Conseguiriam se dedicar, estudar, treinar e… melhorar! As federações e confederações poderiam profissionalizar a arbitragem? Sim! Mas essa é uma questão para um outro dia. Um forte abraço e até a próxima.