Opinião: Final em partida única na Libertadores: um erro da Conmebol

Nesta temporada, a Confederação Sul-Americana de Futebol realiza pela última vez a final da Copa Libertadores em dois confrontos

Coluna Esporte na Rede, por Leandro Martins
São Caetano do Sul, SP, 27 de fevereiro de 2018

Aliás, mais um! A Conmebol não se cansa de cometer equívocos, quando o assunto é sua competição principal: a Copa Libertadores da América. Premiação baixa. Uma piada. Aumento do número de times participantes e uma certa banalização do torneio. E, agora, uma decisão de “jênio” (com JOTA!!). Realizar a final em partida única.

A medida é completamente descabida. Não dá para aplicar na América do Sul tudo aquilo que é feito na Europa. Não é com essas medidas errôneas que a Conmebol vai se aproximar da UEFA em termos de organização. Aliás, pelo contrário. Não alcança sequer o dedo mindinho.

Vejamos. Na Europa, a decisão da UEFA Champions League é em uma única partida. Sim, mas o que permite que isso seja possível? Transporte público de alta qualidade e que funciona. Em poucas horas, um trem de alta velocidade pode atravessar vários países. Continente de dimensões relativamente reduzidas, o que facilita o deslocamento dos torcedores.

O poder aquisitivo do europeu médio é bem maior do que o do sul-americano, o que possibilita um sacrifício de viagem e a compra do ingresso. Os ingressos jamais sobrarão nas bilheterias. Por fim, uma cultura de amor ao futebol, o que faz com que até mesmo torcedores de outras equipes que não as envolvidas queiram estar nos estádios acompanhando a grande final.

Isso, sem falar na embalagem que vende o produto. Gramados em ótimas condições. Estádios confortáveis e com status de arenas. Arbitragem de melhor qualidade (embora, nesse quesito, acho que a UEFA ainda peca e já deveria ter adotado o árbitro de vídeo). Espetáculo garantido.

Imagine agora a final que aconteceu no ano retrasado, entre Atlético Nacional, da Colômbia e Independiente Del Vale, do Equador. Se o estádio escolhido para a grande decisão fosse o Maracanã (pois a escolha será feita previamente), qual seria o público da decisão? Alguém arrisca?

Quantos torcedores dos referidos times teriam dinheiro para comprar passagem de avião e ingresso para assistir à grande decisão com seu clube do coração? A América do Sul é um continente gigante! Não se atravessa de um país para outro em poucas horas. Nem trem de alta velocidade há! Há coisas que cabem no futebol europeu que não cabem no sul-americano e vice-versa. Será que algum torcedor do Vasco ou do Flamengo iria ver a final? Aqui, se torce apenas para o clube do coração (e, muitos, apenas quando o time vai bem)! Pouca gente torce para futebol como um todo.

O que precisa copiar, de fato, não se copia. A implantação do árbitro de vídeo em países como Itália e Alemanha, o cuidado com os gramados e os estádios, o conforto para o público, um transporte coletivo de qualidade decente, digna e aceitável, um calendário melhor pensado e sem tantas datas destinadas aos estaduais (no caso do Brasil), maior transparência na arbitragem, etc.

Quantas vezes não vemos por aqui gramados esburacados? Policiais que precisam proteger os batedores de escanteio com escudos, de tanta coisa que voa das arquibancadas? Querem atingir patamar europeu? Mudem a essência, a mentalidade, a consciência, os detalhes. E não a final em partida única, completamente descabida para a América do Sul.