Opinião: Por que os jovens talentos deixam o futebol brasileiro de forma precoce?

Brasil forma jogadores para reforçar grandes clubes da Europa, mas em muitas oportunidades apenas abastece centros exóticos e de pouca expressão do futebol mundial

Coluna Medalha de Ouro, por Antônio Boaventura
São Paulo, SP, 15 de janeiro de 2018

Cada vez mais os jovens talentos se distanciam do futebol brasileiro e também dos olhares atentos do exigente torcedor tupiniquim. As cifras do futebol árabe, asiático e europeu são cada vez mais tentadoras e fazem com que agentes, clubes e jogadores pensem cada vez menos na permanência destes atletas em suas respectivas agremiações de formação, que investe pesado.

Diversos fatores poderiam explicar o êxodo de jovem talentos seduzidos pelas cifras de países exóticos e de pouca ou quase nenhuma expressão no futebol mundial. Entretanto, a alegação destes está na ponta da língua e muito bem ensaiada como uma jogada treinada a exaustão. Ou seja, com o referido contrato assinado este acredita na hipótese de melhor sua condição financeira e também de seus familiares.

E o torcedor? Como fica? Cada vez mais, este que pode ser considerado o termômetro para medir o clima que e a temperatura cada clube, está em segundo plano. São seduzidos por contratações mirabolantes, que nem sempre justificam o investimento realizado e a expectativa depositada em determinados profissionais. Sem contar que ao ecoar sua crítica das velhas e famosas arquibancadas, estes passam a ter conotação de inimigo.

Muitos jovens talentos passam desapercebidos de seu torcedor por que sequer chegam a ter a oportunidade de defender o seu clube de formação em competições profissionais. São raras as exceções. Gabriel Jesus despontou pelo Sub-17 do Palmeiras e chegou a ser campeão brasileiro em 2016. Já David Neres, revelado pelo São Paulo, pouco atuou pelo Tricolor paulista. O atacante preferiu se transferir para o holandês Ajax.

Entretanto, existe um outro personagem que se tornou “importante” nesta engrenagem do futebol atual: o empresário e ou agente de atletas. São eles que articulam e trabalham o psicológico de seus “clientes”. São eles que por muitas vezes decidem o futuro dos atletas, que de determinada maneira ficam a mercê do planejamento traçado por estes, e que em alguns casos se tornam reféns da política implantada chamada de sistema.

Diante deste quadro podemos dizer que a identificação que este ou aquele clube passou a ser algo remoto e do passado. Será Marcos e Rogério Ceni os últimos a defender e demonstrar afinco as camisas que defendiam? Ou será que o jovem talento passou a ser tratado como uma mercadoria valiosa que pode perder o seu valor e se deteriorar no desorganizado futebol brasileiro? Eis as questões!