Opinião: Por que os jovens talentos deixam o futebol brasileiro de forma precoce?

Brasil forma jogadores para reforçar grandes clubes da Europa, mas em muitas oportunidades apenas abastece centros exóticos e de pouca expressão do futebol mundial

Coluna Medalha de Ouro, por Antônio Boaventura

Cada vez mais os jovens talentos se distanciam do futebol brasileiro e também dos olhares atentos do exigente torcedor tupiniquim. As cifras do futebol árabe, asiático e europeu são cada vez mais tentadoras e fazem com que agentes, clubes e jogadores pensem cada vez menos na permanência destes atletas em suas respectivas agremiações de formação, que investe pesado.

Diversos fatores poderiam explicar o êxodo de jovem talentos seduzidos pelas cifras de países exóticos e de pouca ou quase nenhuma expressão no futebol mundial. Entretanto, a alegação destes está na ponta da língua e muito bem ensaiada como uma jogada treinada a exaustão. Ou seja, com o referido contrato assinado este acredita na hipótese de melhor sua condição financeira e também de seus familiares.

E o torcedor? Como fica? Cada vez mais, este que pode ser considerado o termômetro para medir o clima que e a temperatura cada clube, está em segundo plano. São seduzidos por contratações mirabolantes, que nem sempre justificam o investimento realizado e a expectativa depositada em determinados profissionais. Sem contar que ao ecoar sua crítica das velhas e famosas arquibancadas, estes passam a ter conotação de inimigo.

Muitos jovens talentos passam desapercebidos de seu torcedor por que sequer chegam a ter a oportunidade de defender o seu clube de formação em competições profissionais. São raras as exceções. Gabriel Jesus despontou pelo Sub-17 do Palmeiras e chegou a ser campeão brasileiro em 2016. Já David Neres, revelado pelo São Paulo, pouco atuou pelo Tricolor paulista. O atacante preferiu se transferir para o holandês Ajax.

Entretanto, existe um outro personagem que se tornou “importante” nesta engrenagem do futebol atual: o empresário e ou agente de atletas. São eles que articulam e trabalham o psicológico de seus “clientes”. São eles que por muitas vezes decidem o futuro dos atletas, que de determinada maneira ficam a mercê do planejamento traçado por estes, e que em alguns casos se tornam reféns da política implantada chamada de sistema.

Diante deste quadro podemos dizer que a identificação que este ou aquele clube passou a ser algo remoto e do passado. Será Marcos e Rogério Ceni os últimos a defender e demonstrar afinco as camisas que defendiam? Ou será que o jovem talento passou a ser tratado como uma mercadoria valiosa que pode perder o seu valor e se deteriorar no desorganizado futebol brasileiro? Eis as questões!

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